Tutti-fruti.

Os músculos faciais em movimento, a cabeça a mil, o que adianta correr e correr se cada mastigada acontece uma de cada vez?

A melancolia ataca, a ansiedade também, contra ataco com bolinhas de borracha sintética, repletas de corante, temperos, açúcares, aromatizantes e sabe lá o que mais.

Horrível, mas real, sou preenchida como as câmaras de pneus e ainda pago por isso. Cômico e trágico. Preciso estar atenta para não machucar as bochechas, e seguir no ritmo contínuo para liberar todas as enzimas que estão no além músculos.

Papo estranho, pessoa esquisita. Jogue a primeira goma quem nunca usou esta artimanha para liberar o estresse, a chatice, a raiva, o nervoso e afins.

Acontece que o gosto do chiclete passa, passa rápido, o que fica na boca é o mascar de borracha, o qual quase nunca sabemos a hora certa de jogar fora, nem a goma, nem o costume.

Armadilhas da vida, pouco sabor e muita ruminação, muitos acontecimentos para serem mastigados, mas não engolidos. O mesmo produto que nos faz brincar de soprar bolhas na infância, faz acalmar nosso borbulhar de pensamentos quando adultos.

Serão as tais memórias afetiva? Algumas bolhas ficaram presas na minha imaginação, outras voaram longe, ainda têm aquelas que grudaram na minha pele.

Sempre escutava, não faça isso na frente dos outros, é falta de educação, e lá ficava mais uma bolha sem ar.

Descobri com uma colega, que mascar chicletes em ambiente público em Cingapura é proibido por lei, deve ser por isso que ela o masca com tanta vontade por aqui. Acho que qualquer dia vou convidá-la para um torneio de bolhas, seria divertido. Ela disse-me que essa censura é em nome da limpeza e dos bons costumes.

Pensei que na Alemanha eles poderiam fazer a mesma lei para as bitucas de cigarro, vocês nem imaginam o tanto que eles fumam por aqui, nisso nós brasileiros estamos a anos luz de consciência deles.

Mas, cada um com suas escolhas, só um lembrete para os viciados como eu: goma e bituca no chão será sempre falta de educação, existem melhores marcas para serem deixadas por aí. Qual o seu legado para a humanidade?

Regras do bem conviver à parte, ainda fico com aquela vontade de usar o chiclete apenas para me divertir formando bolhas de tamanhos diversos, igual quando eu era criança. Mas, percebo que a goma já tomou outro significado em minha vida, então, lá vai mais uma unidade anti estresse à boca.

Sou arteira por mastigar chicletes para mitigar os nervos, é como contar até dez, de boca fechada, em silêncio, e pronto já acabou o sabor, não a dor…

Disseram-me para substituir essa mania por meditação, pode ser, mas, e o gosto do tutti-fruti?

19 comentários

  1. Jogue a primeira goma quem nunca usou esta artimanha para liberar o estresse, a chatice, a raiva, o nervoso e afins kkkkkkkkk, simplesmente demais. Vou te contar um segredo, Cristileine: a minha mãe com 76 anos de idade, sempre masca um cliclete durante o dia. Qualquer presente dado a dela que não venha acompanhado de uma caixinha de clicle, perde um pouco seu valor kkkkkk. Somos 10 irmãos e responsáveis por manter o estoque durante o ano rsrsrsrs. Li seu texto com muita alegria, com um sorriso escancarado no rosto de orelha a orelha! Obrigado por compartilhar tal pérola com gosto de tutti-fruti… beijo no coração!

  2. Jogue a primeira goma quem nunca usou esta artimanha para liberar o estresse, a chatice, a raiva, o nervoso e afins.
    Eu não, mas bem, não tenho goma pra jogar. xD

    Me disseram para eu substituir essa mania por meditação, pode ser, mas e o gosto do tutti-fruti?
    Vai por mim: o (cheiro do) ar puro pode ser inebriante; devemos buscá-lo – não só onde quer que ele esteja, tambem onde quer que estejamos! 😉
    Ótimo texto! See ya!

  3. Realmente fico muito feliz por compartilhar isso. Muito engraçado Sandro, provavelmente vou ficar igual sua mãe, mas só tenho 2 filhos 😂 Forte abraço 🙋🏽‍♀️

  4. Tiel, sabe que sempre sigo seus conselhos. Fiz até uma pesquisa intensa do poetrix. Agora vc já me deu mais uma tarefa. Valeu por sua presença aqui🙋🏽‍♀️

  5. Lendo esse título, lembrei-me de ter escrito numa postagem recente, da qual não saberei dizer a data, algo acerca de uma dúvida que nos assola com alguma frequência, que é a pessoa vacilar quanto a que roupa usar naquele dia, pelo que o impasse fica por ali, dando voltas no quarto, e as unhas da vítima indo para o toco (onicofagia). Sim, nós, humanos, somos até engraçados.

    Abraço.
    Darlan

  6. uma das pequenas sobrinhas diz: “Tí Daã, cê leva êu ?” // “Levar pra onde, Garotinha ?” // Ah êu num shabe, não.” // Tá bão, nóis vai.”

    Pois é, com um papo deste, não dá para não rir, ser feliz, sem maracutaia, ainda que com umas dorzinhas teimosas, cheias de sutilezas, malvadezas. Mas vamos ao dia.

    ABRAÇO.
    DARLAN

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