Depressão com Poesia

Terapia online

Hoje vou falar da minha experiência com a terapia online. Aderi à essa prática por dois motivos, que na realidade se resume em um (não falar), por causa da depressão e por não saber alemão.

Eu já conhecia a psicóloga de outros carnavais: quando tive um acidente de carro e quando atendeu meu filho. No começo ela resistiu porque não estava acostumada com sessões terapêuticas online. Eu não posso dizer ao certo das minhas impressões porque eu estava em processo de desligamento cognitivo e sentimental.

A primeira orientação foi para eu procurar um psquiatra. Assim fiz, encontrei um que fala inglês, mas que na verdade usou de outra linguagem, na qual podemos chamar do coração, da paciência, do olhar, sei lá. O fato é que também não falo bem o inglês e na época eu estava completamente indiferente à interações… Mas só o me pôr em ação foi dando tudo certo.

Enfim, ele entrou com a medicação para o corpo e ela para a mente.
Durante quase três anos fiz as consultas psicológicas uma vez por semana através do Skype.

Foram gangorras de emoções e reflexões, às vezes só chorava, noutras escutava e noutras falava. O tipo de terapia que ela me aplicou foi a Terapia Cognitiva Comportamental.

Por mais que nós já nos conhecíamos a abordagem foi completamente diferente, às vezes ela me dava “lições de casa” como a leitura de livros, executar certas ações, fazer alguns planejamentos, etc.

Tínhamos altos papos, descobri muito de psicologia nessa época. Às vezes ela me irritava e me cutucava, o que me deixava com raiva, pasmada, ou emburrada. Mas, na próxima semana olha eu lá outra vez.

Consegui lidar com algumas sombras que eu escondia, descobri outras que eu nem sabia que as tinham. Foi um processo de autoconhecimento o que aos poucos foi mudando minha mentalidade, o que refletiu no meu exterior, tanto na melhor convivência com os outros, como na aceitação da vida.

Essa abertura foi destravando novas portas, fui atrás de cuidar melhor do corpo (a casa da alma), e voltei a ter fé na vida. Hoje estou atrás de restaurar minha espiritualidade e têm sido um caminho maravilhoso!

Imagino que tudo isso dá para se perceber nos meus textos. Não dá?

No começo desse ano eu pedi alta tanto para a psicóloga quanto para o psiquiatra, decidi que era tempo de pôr em prática os aprendizados, sinto-me mais energizada e confiante.

Respeito imensamente tudo o que fizeram por mim! Como disse-lhes se eu precisar eu volto, mas o que quero mesmo é seguir em frente.

Raras vezes tivemos problemas técnicos com as transmissões de vídeo, quando isso acontecia, sabíamos usar o bom senso para resolver a questão. Horários marcados eram horários sagrados. Compromisso faz parte da evolução.

Aquele incômodo da falta de tato, olho no olho, observação da linguagem corporal, foram aos poucos ficando minimizados. A relação de confiança foi crescendo, era lindo ver nela a alegria dos meus acertos, das minhas conquistas.

Aprendi que nossas conquistas internas só podem ser saqueadas se permitimos. Que uma tela pode ser uma janela que se abre para a Terra. Que o falar liberta. Que nossas relações não são perfeitas, talvez nem serão, mas são justamente as tentativas de conexão (sem julgamentos) que nos farão ter a empatia.


Como é o atendimento psicológico na Alemanha?

Abaixo segue uma reportagem da DW sobre como estão tratando a depressão, ansiedade, compulsividade e demais transtornos do humor, nesse tempo de coronavírus. Observem a importância do seguir a existência no agora.

O mundo está fora dos eixos. Isso coloca especialmente sob pressão aqueles para quem o mundo por vezes parece pouco hospitaleiro: ao todo, há 450 milhões de seres humanos com distúrbios psíquicos.

“Em períodos de catástrofe natural, vemos que as taxas de suicídio tendem até a cair temporariamente.

A coisa pode ficar crítica quando o evento passa, quando não se trata mais de uma questão de sobrevivência, mas de como prosseguir a existência a partir de agora.

E aí se percebe tudo o que foi destruído durante a situação de crise. Aí é bem possível que a tendência ao suicídio cresça de novo.”

Leia a reportagem na íntegra:

Saúde mental em tempos de pandemia e isolamento


Dicas de lugares e pessoas

Caso você queira experimentar a psicologia online vou deixar algumas sugestões:

Nunca usei o serviço desses sites, apenas acompanho as suas úteis reportagens.

We care on – Portugal

Psicologia Online – Brasil

Esse aqui é o contato da minha ex psicóloga ⬇️

E esse é o da minha jovem prima psicóloga Tatiane Ciriano, 016 99264 9569, responsável por esse perfil no Instagram⬇️

Espero que tudo lhe seja providencial,

Se cuide!

8 thoughts on “Terapia online

  1. Encontrar a “afinidade” é complexo, mas não impossível… Talvez com uma outra metodologia você se adapte melhor. O importante é não desistir de si mesmo porque na crise beiramos a isso. Se cuide, especialmente nesses tempos. Abraços.

  2. Olá, Cristileine. Estou no sétimo ano de Niedersachsen e no início do meu início por aqui eu fiz terapia online com uma psicanalista portuguesa por algum tempo. Depois de ter fracassadamente tentado presencial com diversos distintos profissionais, tanto em Ingles quanto em Alemão. Para resumir, a terapia virtual resultou muito positiva. Através dela que consegui desatar vários nós e me abrir desapegadamente ao desconhecido. Fiquei confiante ao ponto de me auto designar “em alta” e ir pôr em pratica os aprendizados. E nesse caminho que se seguiu foi onde passei a construir uma nova realidade significante dentro de uma realidade distinta da minha historicamente construída. Parabéns pelo blog!

  3. Lembro q falamos sobre o assunto.
    Vou arquivar, pode vir a ser necessário no futuro.
    Eu estou começando a ter dificuldade com a quarentena. Saudades da minha rotina.
    Eu acho que a questão da terapia, é q os profissionais costumam só ouvir, praticamente, e o paciente deseja solução, alguém q diga o q fazer e o resultado (talvez, irreal achar alguém assim).
    P.S. : é uma pena q eu não consiga receber notificação da resposta por e-mail. Às vezes, lembro q fiz um comentário e vou procurar se houve resposta. Isso acontece com alguns blogs, não só o seu. Tb acontece de blogs q recebo notificação de resposta ao comentário, leio, mas não consigo reagir com “like”.

  4. Paulo, primeiro bem vindo ao blog e a Saxônia, estou em Hesse/Frankfurt. Fiquei curiosa por saber em como foi sua experiência com a terapia numa língua estrangeira. Sinceramente não imagino como pode ser uma terapia na língua que não seja a mãe, imagino que perde um pouco do significado, como quando se traduz poesia. Mas, pode ser só pré conceitos. Duas frases me chamaram atenção no seu comentário: abrir desapegadamente ao desconhecido, e, construir uma nova realidade dentro da historicamente construída. Muito bom! Seguimos. Essas palavras me deram força.

  5. É que existem diversas abordagens de terapia e quando vamos fazer não as conhecemos muito bem e nem o profissional se explica. Além das abordagens tem a questão da afinidade. O terapeuta não precisa e nem deve ser seu amigo, mas você precisa ver coerência nele pra confiar. Abraços.

  6. Olá Cristileine! Não tive uma experiência tão longa quanto você com a terapia on line (já que você procedeu assim por 3 anos…). Eu tive apenas algumas sessões, então posso falar pouco acerca das minhas percepções.

    Apesar disso, julguei importante compartilhar minha história aqui porque foi um atendimento online que “salvou minha vida”.

    Meu psicólogo estava viajando, fazendo um curso na Argentina e eu havia concordado com ele de remarcar a sessão daqueles 15 dias (tempo que duraria o curso dele). Estava me sentindo bem, energizado e encorajado, e não vi problemas de ficar sem terapia por 15 dias.

    Pois bem, justo nesses 15 dias, meu então relacionamento
    que era extremamente abusivo, começou a se agravar, sofri agressões físicas e verbais em público quando tomei coragem de por um fim em tudo. Cheguei em casa arrasado, destruido, não via outra solução que não fosse colocar um fim na minha vida naquele mesmo instante.

    Resolvi buscar ajuda emergencial, não queria morrer, não daquele jeito, nem por causa de uma pessoa que me fazia tanto mal. Chamei meu psicólogo, implorando por um momento, calhou dele estar num intervalo do curso e ele prontamente me atendeu por uma chamada de vídeo do whatsapp.

    Foi um alívio! Ele conseguiu me acalmar, conseguiu me relembrar da força que eu tinha e me apoiou a erguer a cabeça e seguir em frente. Não sei se foi meu desespero, ou se foi a humanidade e a sensibilidade dele (ou tudo junto) mas as barreiras frias da distância “online” foram superadas rapidamente.

  7. Gabriel, destaco essa fala “ele conseguiu relembrar da força que eu tinha”, isso é muito importante, às vezes nos perdemos em nós mesmos e de nós mesmos. Que bom que você tomou essa atitude, e que bom que compartilhou aqui, tomara que seja fonte de incentivo para outras pessoas. Abraços.

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