Olhos nos pés

Andava

Com olhos no pés

Ninguém via

Que ela passava

Todos iam/

Enxergava

Por outra perspetiva

Além da Terra

E das bocas de tramela/

Quando descansava

Sabia muito mais

Mas, os dias não lhe permitiam

Visão/

Em movimento

Não podia pisar

Em qualquer caminho

Cisco dói/

Sensibilidades não usa salto

Indiferença sim

Usa até perna e cara de pau/

De olhos nos pés

Não havia um rosto

Para lhe (as)segurar

Seguiu acreditando que

A vida

É tudo o que não se vê/

Até o dia que

Os cílios

Criaram raízes no chão

E as pupilas brotaram

Para sempre.

  • Este desenho é da Ana Isabel do blog Delfos, desde quando eu o vi, pensei: quanta poesia! Então, escrevi esse poema e pedi licença para publicá-lo. Se você gosta de desenho livre e criativo conheça consulte o Delfos.

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