Força menina

Vamos lembrar de Olhos Roxos, post de junho do ano passado, que fala sobre a violência doméstica.

Mais do que isso, fala da força da mulher que caminha além das marcas no corpo e alma, e, das marcações sociais.

Nós mulheres que cedemos o ventre e estamos presentes nas mais diversas criações e construções,

somos mais preciosas que as ametistas,

mais cheirosas que as lavandas,

mais delicadas que as violetas,

e procuramos sim a transmutação usando todo o poder da intuição.

Um viva a força feminina.

Força aí menina.



e-books por Cristileine Leão

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Voz que nina a humanidade.

O primeiro tapa na cara que recebeu foi aos treze anos, por manifestar sua indignação, sua tia foi parar no hospital por causa de um coquetel de remédios tomado por não suportar a pressão psicológica do tio.

Cala boca pirralha, você não entende de nada. Falou rangendo os dentes.

A mão era forte, áspera e começava apresentar os primeiros sinais de ruga. Que rumo foi tomar, essa mão que era para afagar?

Dali para frente se calou, mas continuou observando os movimentos bruscos daquela mão que se levantava sobre outro rosto quase que diariamente.

São as faces do desgosto. Também via aquela mão julgadora apontando para os outros na rua. Dita e dura mão.

Entendendo de marcas, cresceu. Foi descobrir que o mundo com sua mão paterna estapeia quem tem seios e quer falar, com seus dedos longos e a palma da mão muscular, diz o quanto devemos ganhar ou perder, através dos salários, da música vulgar, das roupas que devemos usar, das imposições familiar.

Falo de mulher, falo de progenitora, falo de ser feminino, instinto cada vez mais extinto.

Não temos inveja do falo, nem queremos com ele disputar. Já temos uma descarga hormonal suficiente para nos preocupar.

Só queremos que seja quem for, tenha capacidade para escutar, sem bater, sem ofender, sem diminuir. Porque na realidade todos sabemos, essa voz nunca irá calar.

Voz que nina a humanidade, aceite esse colo sem medo, nenhum corpo é brinquedo que se usa e joga pela sacada do quarto andar.

A tia continua com o tio. A menina agora mulher, nunca mais tomou outro tapa na cara. Talvez porque as duas se perderam no caminho vendo outras podas. Espero que vejam o rebrotamento.

Algumas flores não viram:

Hoje vou ficar solteira“, disse Tatiane Spitzner na noite em que morreu. (notícia do site UOL, 09.08.2018)

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A G. do blog Agridoce me lembrou que estamos no Agosto Lilás, mês de prevenção à violência doméstica.

Sugestões de leitura para compreender o papel feminino através da mitologia e dos contos populares:

  • Mulheres que Correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés.
  • As Deusas e a Mulher, Jean Shinoda Bolen.
  • Complexo de Cindera, Colette Dowling. (Indicação da G.)

Vamos falar mulherada!

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