Movida

Sempre existiu o tempo?

Sempre existiu o vento?

Foi nos soprado

O gosto da eternidade

Até o começar

Do ranger de dentes

Só então percebemos

Que há morte e ilusões

Sorte que

O tempo e o vento

São amigos

Sobretudo

Quando se abre um sorriso

Entramos por essa porta

Sem saber se tem saída

Vida

Movida

Como a areia

Como a flor

Como a seiva

Vou e voo.


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Dos cegos do castelo

O vento despenteia

O tempo esvai como areia

Levada das dunas

Vidas/

O tempo e o vento

Invisíveis e implacáveis

Como o bem me quer

E o mal me quer

Da margarida/

Flor que a cada estação nos diz

Não estacione

Nas maravilhas

E nem nas amarguras

Da vida/

Na contemplação do hoje

Vemos

Castelos destruídos

Em reforma

Para o passeio

Dos futuros caminhantes/

Enquanto isso

A presença e o sorriso

Vão nos perpetuando

No cósmico

Incrível e indizível/

Löwenburg, Deutschland / Castelo do Leão, Alemanha


Título alusão à música:

Titãs – Cegos do Castelo

Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou



e-books por Cristileine Leão

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Cabelos ao vento.

O vento forte carrega

As últimas folhas remanescentes

O balanço entre os galhos é geral

Dançam no topo da árvore

Recebendo a nova estação

Entre seus espaços vazios

Surge o som do sopro

Horas de flauta

Horas de trombone

O tronco sustenta tudo

Impassível da raiz ao topo

Por cima dele as heras

Insistem em existir

Até quando passarão por ti

Sem te ver?

Natureza desnuda

No baile de gala

Do inverno.

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