Viva o vazio

Viva o vazio que nos obriga à preenchê-lo

O papel em branco

O ócio

O tédio

O feriado sem ocupação

Os dias do nada

Vaza o rio nas muitas chuvas

Rio até extravasar

Choro no derramar

Ouço que no oco há eco

E na vastidão

Tudo o que precisamos para fluir

Ainda que se vague no vazio

Há sempre espaço para preenchê-lo

Com um vaso de vida.


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Nunca está só

De um dia para o outro

Chega ela

A notícia que você não queria

A qual nunca esperava

E agora?

Caiu o castelo de areia

O mar subiu

A vida escorrendo

Aprender a nadar

Com medo d’agua

Sem colete salva vidas

Força no braço

Não olhe para as ondas

Concentre-se na respiração

Sabendo que

A praia nunca está vazia

E o poder dos dias

Nunca está só

Nas suas mãos

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Solidão e escuridão

A solidão e a escuridão resolveram fazer uma festa

Chamaram todos os humanos

Muitos resolveram participar

A música era psicodélica

O drink a reflexão

A refeição o vazio

Desfigurada era a decoração

Os convidados ficaram desorientados

Tiveram que se reinventar

Uns resolveram colocar luzes na casa

Outros se prostraram a chorar

Uns descobriram que têm asas

Outros resolveram se matar

A solidão e a escuridão continuam convocando

Não mudaram nadinha o tal ritual

Só mudaram quem passaram por lá

A solidão e a escuridão são eternas

Enquanto estamos a definhar

Sentimentos intensos vêm nos dizer

Precisas aprender a dançar

Insistimos em nos engessar no tempo

Que não pára de rodar

Não se iluda veteranos

Os anos escorregam rapidamente

Neles somos peneirados

Entre dedos

Sólidos e escusos

Em cada passo da dança.

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