Educação é questão de emoção

“Educar é um ato de persistir com delicadeza”, essa é a principal mensagem do professor, escritor e psicanalista Geraldo Peçanha de Almeida.

Educador incrível que tive a oportunidade de conhecer nessa semana através da palestra “Bases Neurológicas da Aprendizagem”, promovida pelo Grupo Mulheres do Brasil, núcleo Frankfurt.

Nesse encontro o professor, que tem mais de 60 livros publicados, contou sobre suas raízes, desde a infância na lavoura, as experiências como professor infantil, até chegar ao doutorado e tornar-se palestrante internacional.

Mas, o principal foco foi sobre o poder e o valor do feminino para a humanidade, e sobre a importância de escutar o que as crianças têm para nos dizer.

“Só as mulheres carregam os vazios: no útero, na vagina, no coração quando os filhos vão embora… Isso porque sabem reconhecer a beleza e completar a vida com doçura”.

Quando ele falou isso, lembrei das aulas de antropologia na faculdade quando estudei sobre a sociedade matriarcal. Hoje vivemos no patriarcalismo, mas, nem sempre foi assim. Como esse mundo é cíclico, acredito que um dia não terá mais essa predominância de A ou B, pois, somos um todo. Enquanto isso, vamos tendo a dor do parto, ops, quero dizer, do processo evolutivo.

Das bases neurológicas da aprendizagem, o professor explicou que toda emoção antecipa a linguagem, então, quando uma criança (e até mesmo o adulto) estiver dominada pela cólera, pelo medo ou pela euforia; o melhor que temos à fazer é nos afastar e esperar os ânimos se acalmarem. Qualquer intervenção “durante” o medo, a cólera e a euforia terá pouca eficácia, já que o cérebro está dominado por uma bomba de adrenalina e a comunicação não será efetiva (nem afetiva).

Tivemos noção também sobre os tipos de linguagens na formação da memória da criança até os seis anos que são:

  • Sonora – adquirida por músicas, histórias e afins.
  • Cinestésica, pelos movimentos.
  • Pictórica – por desenhos.
  • Midiática – computadores, tv, etc.
  • Gráfica – letras e números.

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Dia Internacional da Saúde Mental

Hoje é o Dia Internacional da Saúde Mental, isso quer dizer que o Brasil e o mundo deveriam estar debatendo sobre esse assunto que tanto provoca nossa sociedade.

Mídias, escolas, governantes, clubes, organizações, cidadãos hoje e sempre precisam reconhecer e praticar o “bem estar”.

Falo sobretudo sobre o Brasil que lidera o ranking de depressão e ansiedade na América Latina. Comparando com as demais partes das Américas (central e do norte), o Brasil fica em segundo lugar atrás apenas dos Estados Unidos.

Por que será que seguimos tanto o sonho norte-americano?

Saúde mental vai muito além de tratar dos transtornos do humor e do comportamento.

Saúde mental é ter consciência de nosso função pessoal e social e fazer de tudo para nosso desenvolvimento enquanto ser e humanidade.

Saúde mental é transdisciplinar, para cultivá-la é preciso a sintonia com o corpo (alimentação, movimento, hobbies); com a alma (senso de contribuição, realizações, pertencimento); com o espírito (confiança, esperança, plenitude). Só para citar alguns exemplos.

Mas, como algo tão amplo pode fazer parte de nosso dia a dia?

Simples, começando: começando a se cuidar, começando falar, começando pedindo ajuda. Aceitando: aceitando sua condição, aceitando ajuda, aceitando que algumas coisas irão mudar e que outras não, aceitando que não temos o controle sobre tudo e que a perfeição asfixia.

Começando e aceitando, do mais tudo irá tomando rumo e prumo porque um passo complementa o outro.

Todavia, não há como falar de saúde mental sem falar de suicídio, quando a pessoa questiona o valor da vida, desacredita na humanidade e toma uma atitude “permanente” para acabar com uma dor “temporária”. Poderia ficar aqui horas descrevendo esse assunto. Mas, deixarei a dica de um vídeo e um texto (os melhores que vi nesses dias).

É um vídeo animado do ótimo canal “Epifânia Experiência”, com o tema:

Qual o sentido da vida? O mito de Sísifo por Albert Camus. Fiquei até com mais com vontade de ler esse livro.

Albert Camus, filósofo, 1913-1960

Frase que mais gostei:

Por acaso o absurdo da vida faz com que a arte seja menos bela, a comida menos saborosa, o sorriso menos contagiante, a felicidade de quem amamos menos deliciosa, a virtude menos admirável, o sexo menos prazeroso?

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AliMente

Desde quando mudei para o atual apartamento estou sem geladeira, que chega amanhã, uhuuu, mais do que esperada.

Por isso, sou obrigada a ir ao mercado todos os dias buscar os alimentos frescos: frutas, legumes e carnes.

Isso já é um costume dos alemães. agora entendo que é porque moram em lugares com pouco espaço para armazenamento e adoram aproveitar a promoção da semana. Quase não se vê carrinhos lotados por aqui. Só o que dá para se levar na mão, ou, em carrinhos de feira.

Num dia desses, fiquei surpresa com a quantidade de alimentos em latas, vidros e plásticos que me deparei num corredor.

Pensei: Como mudamos tanto o paladar? Para onde estamos caminhando?

Tanto pelo fato da comida artificial, quanto pelo fato da geração de lixo.

E não é só isso, nosso cérebro (como todas as células do organismo) precisa de nutrientes para se manter ativo e saudável.

Mas, parece que estamos congelando essa idéia. Pela pressa, pressão ou comodidade enchemos nosso corpo de calorias vazias. E aquela fome oculta nunca passa.

Também pudera, como nasce uma flor numa terra de plástico? Como formar neurotransmissores sem nutrientes?

Sim, claro, é possível sobreviver com bebida de cola, realcador de sabor, corantes, aromatizantes. Cortisona, nicotina, álcool. Nesse caso, o alimento somos nós. Sustentando o insustentável a cada bocada.

Minha avó dizia: “come esse verdinho pra crescer forte e inteligente”. Eu digo: coma bem para ser mais contente. É o comer para ser feliz, não o ser feliz através da comida. É diferente…

Os sintomas do transtornos do humor, como a depressão, ansiedade, etc. podem ser amenizados pela boca, sono, atividades físicas, sociais e laborais.

Segue a lista dos meus 10 alimentos preferidos:

laranja, banana, couve, almeirão, abacate, castanhas, feijão, ovo, salmão, aveia

Estou certa que eles carregam vida como eu.

Não por acaso (já que o corpo pede) descobri que são os alimentos que mais colaboram para melhorar o humor e a digestão (já que a maior parte da serotonina é produzida no intestino).

O papo é mais do que uma vida natureba, o papo é sobre andar nos corredores dos supermercados e se identificar com o que vê na maior parte das prateleiras.

Alimente a mente.


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Offs da depressão

Ouça, elas cantam poesias.

Quando comecei o tratamento para a depressão e especialmente depois do blog, muitas pessoas conhecidas se achegaram para abrir o coração.

Fiquei surpresa com a quantidade de mensagens, umas pessoas eu já imaginava após pesquisar mais sobre os sintomas e comportamentos de um depressivo (isolamento, irritabilidade, negativismo, culpa, desconfiança, dores no corpo, insônia, queda de cabelo, desleixo com a aparência, deixar de fazer o que gosta, etc. )

Outras pessoas, nunca passavam por minha cabeça que tivessem algum transtorno do humor. As redes sociais, e a vida real, estão cheias deles: Depressivos sorridentes, fantasiosos, funcionais. Sem falar naqueles que sabem, mas não aceitam que tem depressão.

No fim de cada papo, o mesmo pedido:

“Por favor, não conte nada para ninguém.”

Tudo bem, não vou escrever sua parte da conversa, mas, vou pôr aqui as minhas respostas, sei que um ou outro há de se encontrar no meio delas.

Offs da depressão

– Que ótimo que a ela vai tomar o remédio de tiróide, o psquiatra me explicou que ela desregula o corpo e tem os mesmos sintomas da depressão.

– É assim mesmo, uns ficam down e outros eufóricos. Ele só me prescreveu antidepressivo só depois que viu que meu exame de tiróide estava ok.

– Outra coisa calmante e antidepressivo são diferentes, explica pra ela. O calmante serve para acalmar como o nome diz, o outro para repor hormônios que o corpo não está produzindo bem como a serotonina, adrenalina, dopamina…

– Calmante te deixa mais relaxado ou dependo da intensidade você pode até dormir. Antidepresivo pode tirar os sintomas da depressão com o tempo.
Mais ele requer tempo, é um tratamento. Se não aprender lidar com as causas, será tempo perdido.

– Não nem todas têm causas, pode ser genética, personalidade, ambiental. Aí é nisso que precisa mexer.

– Você fez bem falar com as suas irmãs, ela precisa de ajuda, se não vai pirar por não saber lidar com tudo isso que passa dentro do corpo e da mente, e ainda vai enlouquecer vocês.

– O desencontro dentro de si é o mesmo caso do drogado, do alcoólatra, do anoréxico, do obeso… Toda família sofre, muito triste.

– Ahhhh legal que estão gostando dos textos! por favor me avisem quando eu pegar pesado ou ser repetitiva. Tem coisas que a gente não vê em nós mesmos, só interagindo com os outros.

– Podem compartilhar se acharem necessário, perdi a vergonha , estou assumindo quem sou, fazendo os rumos da minha vida, escrevendo livremente que é o que gosto de fazer. Chega de me esconder, e se não sei falar direito com as pessoas, eu escrevo.

– Não é questão do que se tem ou se deixa de ter, é do que sente, das pedras que carrega; não é questão de ocupação, acho que tenho bastante.

– Também não gosto de me sentir assim estranha e busco melhorar.

– Um câncer é coisa séria, como também é sério não se conhecer, afastar-se de si e dos outros, adoecer por isso no corpo e na alma.

– Enfim, coisas da cuca. Vou melhorar, sei que vai voltar como sempre. O que quero saber é lidar com tudo isso, e tirar o melhor de tudo isso.

– kkkkkk pare com isso, antes de eu ser depressiva, sou gente, erro todos os dias, não sou perfeita, não sou modelo, mas também não sou o lixo que achava ser.

Deito e penso:

Por que as pessoas escondem suas fragilidades e seus poemas?

Poema de Rubem Alves

O que vai acordar é o que chamar…


Flores cantam Poesias
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