Viva o vazio

Viva o vazio que nos obriga à preenchê-lo

O papel em branco

O ócio

O tédio

O feriado sem ocupação

Os dias do nada

Vaza o rio nas muitas chuvas

Rio até extravasar

Choro no derramar

Ouço que no oco há eco

E na vastidão

Tudo o que precisamos para fluir

Ainda que se vague no vazio

Há sempre espaço para preenchê-lo

Com um vaso de vida.


Esta obra está licenciada com uma Licença
Creative Commons Atribuição Não Comercial Compartilha Igual 4.0 Internacional

Lago escuro

Três cachorros famintos

Presos no parque cercado

Caminham pra lá e pra cá

Cheiram o resto

Da comida dos patos

Dos solados dos sapatos

Sedentos

Bebem a água

Do lago escuro

O cercado está furado

Todos

Humanos e animais

Fingem que não veem

Continuam a caminhada

E você

Por que não traz comida aos cães?

Oras bolas

E se eles se apegarem comigo?

E se eles me perseguirem até em casa?

Então verão

Dois humanos sozinhos

No quarto escuro.



e-books por Cristileine Leão

Continue lendo “Lago escuro”

Toda ouvidos

Hoje por mais de meia hora

Fui toda ouvidos

Da dor à alegria

Dos ensejos aos anseios

Do resfriado à conta do mercado

Fui toda ouvidos

Apesar de entender dez porcento

Apesar de responder com interjeições

Num certo momento me questionei

Será que ela é louca?

Logo respondi

Louca sou eu que até a pouco

Dava ouvidos só para celular

Tentei prestar atenção em cada acento

Tentei não me distrair com outros eventos

Numa cafeteria

Por volta do meio dia

Hoje fui toda ouvidos

Para a solidão

Von beiden (de ambas).

Esta obra está licenciada com uma Licença
Creative Commons Atribuição Não Comercial Compartilha Igual 4.0 Internacional

Bosque da solidão

O bosque da solidão

Está plantado em muitas ruas

Com rostos diversificados/

O bosque é brilhante

Tão brilhante

Que ofusca quem passa/

Assim muitos tropeçam

Em corações

Achando que são pedras/

Na espera de um anjo

Anunciação

Do te quero bem/

Sem saber que

Toda cantiga que parece triste

Nada mais é do que

Uma maneira

De apresentar a dor

Em forma de arte/

Como é a vida

Essa rua que podemos ladrilhar

Sem saber se nosso amor vai passar

Pela rua ou pelo bosque.

  • poema inspirado numa cantiga infantil do folclore brasileiro: “Se essa rua fosse minha”.
  • Música interpretada na harpa, violão e violino pelo maravilhoso Trio Amadeus.

Flores cantam Poesias
conheçam meu ebook aqui


Esta obra está licenciada com uma Licença
Creative Commons Atribuição Não Comercial Compartilha Igual 4.0 Internacional