Sem rodeios

Dias sim e dias também, Valdir estava na cama. Tudo aconteceu quando imbuído pelos contos do seu avô espanhol, Valdir resolveu ser peão de boiadeiro.

Mal sabia o jovem que o selvagem a ser domado não era o touro. Dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três.

Valdir escutou isso muitas vezes. Imaginava que seria assim até o fim da sua vida. Jamais ia desistir do sonho e das glórias de ser um campeão, sair do campo e da miséria.

Seguraaaa peão!

Acontece que o fim da sua vida não chegou, pelo menos não nas muitas vezes que clamava.

O boi venceu, a multidão vibrava.

A multidão se preocupou com Valdir apenas nos primeiros meses. Depois, como toda dor e agonia, a tragédia de Valdir caiu no esquecimento.

Apenas seus olhos e sua voz eram portas de entrada no seu mundo, o qual ele fechava cada vez mais e mais.

Nos seus olhos o pedido de “mate-me por favor”, na sua boca o de volte amanhã.

Assim, preso no cabestro da cama Valdir sentia cada espora da vida, sem sentir o próprio corpo.


Sem rodeios I

A morte em vida acontece em muitas situações, muitas das quais nem percebemos a paralisia, até chegar um dia que nosso olhar nos entrega…

Que nosso retorno seja muito mais do que piedade. Todos queremos ser amados, até os acamados…

Texto “in memoriam”.

Para refletir

Reportagem da Revista Superinteressante apresenta os prós e os contras dos rodeios (04/07/2018)

Os rodeios devem ser proibidos?

Sem rodeios II

As festas de peão de boiadeiro são tradicionais da região de onde vim. Sempre achei aquilo tudo uma agressão. Ainda assim tem público, o que se vende se retroalimenta.

Fico pensando até que ponto as pessoas realmente gostam, ou até que ponto elas acham que gostam porque não têm possibilidades de conhecer outras coisas como: artes, autoconhecimento, criatividade, etc.

Ou, até que ponto a propaganda é tão grande que fazem elas acreditarem que aquilo tudo faz parte da cultura delas.

A festa do peão é originária nos EUA, o Brasil copiou e até a declarou como esporte nacional.


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