Ancorar

“Eu tenho pele branca, nasci em um país rico, tenho o passaporte certo, pude frequentar três universidades e me formei aos 23 anos”.

“Sinto uma obrigação moral de ajudar as pessoas que não tiveram as mesmas bases que eu.”

Essa foi a justificativa de uma capitã alemã que atracou um navio com refugiados num porto italiano.

Agora, é claro, ela está respondendo legalmente por isso. Carola Rackete está sendo vista por uns como heróina e por outros como criminosa.

Mais do que a coragem, quero destacar nessa moça um valor que só anda em destaque no muito bibibi dos bites e dos bytes, mas que na prática vem se atrofiando: a empatia.

Isso mesmo, se colocar no lugar do outro, e mais do que isso, agir além de si, além dos próprios interesses e conveniências.

O que será dessa capitã eu não sei, mas a mensagem é clara. Chega uma hora que precisamos ancorar nosso navio. Doa à quem doer. Ainda que esse alguém seja nós mesmos.

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Refugiados somos.

Coração cravado no tronco – Refúgio na natureza.

Algo inexplicável

Dentro do meu ser

Faz forte o querer

Refúgio.

Pensamento longe

Onde está você?

Parte integrante

Do meu respirar

Vida, lua, chuva

Passos na areia

Terra fofa à vista

Já vou flutuar.

Ai meus ideais

Não importam mais

Antes tão leais

Hoje desiguais.

Passos te procuram

Tateando tudo

Onde está você?

Tatuado está 

No meu caminhar

Sigo procurando

Onde está você?

Corro em teu alcance

Algo inexplicável

Dentro do meu ser

A querer

Refúgio.

Teia de aranha na boca do túnel – Refúgio.

Refúgio do amor

Refúgio mental

Refúgio dos pés 

Refúgio de abrigo

Refúgio do medo

Refúgio no mato

Refúgio na crença 

Refúgio da indiferença 

Refugiados somos.

Uns se acham mais…
Pode se ler essa poesia em vários contextos, do amor, da dor, da natureza, da política atual (refugiados). Tudo depende de 

“Onde está você.”