De onde vem?

Será o Benedito

Não descobrir

De onde vem essa dor?

É crônica senhora

De cunho emocional…

A cronologia não nega

O que aferroou você

Já o subconsciente

Esse nunca está contente

Até apresentar seu ser

À você

Eis o princípio do prazer

Ferindo

O princípio da realidade

Que fica desalentado

Com o inusitado

Até o resplandecer.


* Será o Benedito = dito popular que expressa incerteza e/ou surpresa. Surgido quando o presidente Getúlio Vargas demorava para escolher seus líderes. Então a população especulava: Será o Benedito (Valadares)?

* Princípio do Prazer e Princípio da realidade = termos cunhados pelo psicanalista Sigmund Freud.


O princípio do prazer

SONHO que o tempo não desfaz

O meu coração me diz

Fundamental é ser feliz


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10 insights da terapia

  1. Seu olhar do mundo só você tem.
  2. As pessoas são universos para serem descobertos.
  3. Antidepressivos não eliminam seus problem nem muda sua personalidade.
  4. Antidepressivos podem agir no “sintoma” (é mais imediato), mas é a psicoterapia que age na causa (mais profundamente) e na mudança de comportamento nociso.
  5. Sofrimento existe, existiu, existirá, parabéns voce é humano, só sofre quem ama.
  6. Esteja preparado para a alegria, você merece.
  7. Desafio: interagir bem com o mundo sem julgamento.
  8. Não desprezar carinho, venha ele de onde for.
  9. Aprenda a conviver com a bagunca da casa, ela sempre vai te esperar para arrumar, já a sua vida tem prazo.
  10. Dúvidas são destrutivas, certezas inconclusivas, a vida é tentativa.

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Compartilho com vocês esses dez insights que tive durante esses tempo de terapia. São percepções bem pessoais, não são recomendações porque cada um tem sua íris.

O tipo de psicoterapia que utilizo é a comportamental cognitiva (TCC). Tenho sessões uma vez por semana através do Skype. Para quem está chegando agora, moro fora do Brasil e não falo o suficiente para expressar meus sentimentos em alemão.

Até o momento a empresa está ressarcindo esses gastos (INVESTIMENTO) com o tratamento da depressão. Vira e mexe pedem umas cartas comprobatórias do psquiatra e da psicóloga. Mas, até agora tudo bem.

Coloquei investimento em letras maiúsculas porque consigo perceber minha evolução na prática. Isso sim é saúde mental: tratar, sentir bem-estar e ter força para lutar com as adversidades.

Apesar de muitas vezes não achar que estou sendo eu mesma, já estava acostumada com aquela vibração negativa, espero que essa seja uma versão recauchutada. Vivendo e aprendendo a jogar…

Aprendendo a jogar – Elis Regina – Fantástico 1980

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Fique quieta.

KEEP QUIET, era tudo o que eu precisava ouvir.

De uns tempos para cá venho numa queda de humor, a qual tentei negar, mas ela foi crescendo. É difícil distinguir quando são as garras da depressão e quando são os problemas do dia a dia que estão incomodando. Tento ficar firme e resistente porque sei que afinal a vida não está fácil para ninguém.

Eis que voltaram os sintomas: cansaço excessivo, dores no corpo (no peito, nas costas, no joelho, no ouvido), tensão muscular, choro, acordar de madrugada, evitar encontros, cancelar compromissos, desanimar dos planos, não ver graça e sentido em nada…

Hei pára isso aí já não é tristeza, nem algo do além querendo te derrubar, isso aí é a inflamação da alma, assim chamo a depressão.

Nas postagens anteriores, contei para vocês que achava que eu estava começando o processo de desmame dos antidepressivos. De dois, fiquei com um; as consultas com o psquiatra passaram de mensais para trimestrais. O que me deixou muito feliz.

Porém, essa primeira tentativa falhou, nesses três meses tive muita oscilação de humor, mesmo sendo aconselhada duas vezes pela psicóloga para voltar no psquiatra, tentei segurar firme e forte. Segurei demais.

Cheguei lá nessa terça-feira quebrada, quando estou assim se percebe até no meu rosto, olhar vago e desvitalizado, acompanhado de certa indiferença pela vida e frequentes pensamentos em morte.

Isso tudo bem agora que estava indo tudo tão bem, conheci bastantes famílias brasileiras, estava cheia de projetos, fazendo esteira, comecei meditar e cuidar da parte espiritual, tive um mês de colo de mãe, enfim, fazendo de tudo como recomenda a bula…

A psicóloga ficou procurando os motivos para essa queda, eu nem isso procuro mais. O que tento é acalmar a mente e relaxar o corpo que dói.

Nessas horas o negativismo e a culpa também atacam, dizendo você não vai conseguir, você fez isso e aquilo, você parou o que começou, você, você, você.

O mais instigante é que não aparece seus ganhos e méritos nesses momentos. Se não fosse a psicóloga me lembrando de tudo o que já consegui progredir, nem sei viu, essa foi a última dela que estou refletindo:

“Ao que não podemos chegar voando, temos que chegar manquejando”, Freud.

Já o psquiatra: “Frau Leao, vamos ter que voltar com o outro antidepressivo e quero ver a senhora daqui duas semanas. Também tome a vitamina D porque a falta de sol afeta até os nativos. Esquece tudo o que a senhora parou, o que não fez, o que tem que fazer. Por favor, KEEP QUIET, fique quieta, se respeite que tudo vai passar.

Do teste para antidepressivo

Nessa consulta também perguntei para ele sobre o teste farmacogenético que estão fazendo para descobrir qual o tipo de antidepressivo que mais se adequa a cada pessoa. Aquele teste que já escrevi aqui feito pelo jornalista Jorge Pontual. Soube que esse teste já está sendo feito no Brasil, inclusive com cobertura de alguns planos, mas é bem caro. Pesquisei antes, aqui na Alemanha ele também é caro, cerca de 300 euros.

O psquiatra esclareceu que esse teste é indicado para as pessoas que não respondem ao tratamento, e para as que têm alergia ou efeitos colaterais muito intensos dos antidepressivos. O que não é o meu caso, já que tive progresso com o tratamento, só preciso de ajustes. Ainda estou tendo energia para levantar da cama e clareza de pensamentos, o que já tinha perdido antes, a apatia tinha dominado.

Sai de lá pensando o tormento que é a vida das pessoas que não respondem ao tratamento. Lembrei da mais recente pesquisa que classifica os depressivos em três subgrupos: D1, D2 e D3, sendo que o grupo que não reage aos medicamentos são os que sofreram traumas na infância.

Conclui que o cérebro (mente/subconsciente/alma) é como a *Caixa de Pandora e que vai longe para ser desvendado. Ainda bem que não escapou a esperança…

*Caixa de Pandora = da mitologia grega, na caixa continha todos os males do mundo. Pandora abriu a caixa deixou escapar todos os males do mundo, menos a esperança.

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