Como o oceano suporta?

Dúbio cruzeiro

Mar de pessoas

Navegando desconhecidas

Na solidão

Meio ao oceano

Mergulhadas em ilusões

Devoram suas refeições como os leões na presa

Presas no bote capital

Toalhas guardam lugares na piscina

Cotoveladas no elevador

Os shows são fakes

Muita luz e som para abafar a escuridão

A garçonete não vê a família há seis meses

Dói o pé da violinista

Na rota dos serventes muito se vê asiáticos, africanos e latinos

Na onda dos servidos o que vale é o cartão e a ostentação

Titanic moderno

O que diria Poseidon?

O tempo passa

A profundeza chamando

Vento soprando

Ondas submarinas

Como esse oceano segura tanto peso?

A consciência diz você deve ficar feliz

Mas não sei nadar.

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Atribuição 4.0 Internacional

Passeio no fundo do mar.

Na noite passada
Deitei ao som da chuva

Abri os ouvidos além tímpanos 

Entreguei me a sublime melodia 

Fecundado a terra.
Depois fui para o fundo do oceano

Sentei no canto das algas 

Fiquei contando os peixes a passar

Variedades de cores, formas e tamanhos.
Antes de adormecer

Fixei meus sentidos nas barreiras de corais

Coroada fui

Nas profundezas.
Ah, e a gente acha que desvenda tudo

Extenso devaneio

Veja só existe mais oceano 

Que continente nessa Terra.
Enfim, mergulhei no sono

Esse mundo de tamanho universo 

O oceano virou uma lua em órbita 

Do meu planeta mórbido. 
E a chuva a fertilizar

Enquanto me protejo dentro de casa

Não sou terra, não sou mar.
Desperto

Continuo aqui até não sei quando

De olhos abertos

A procurar meu lugar

De contemplação.

Quando o céu vira oceano.

Estava sorridente numa casa de chão de tábua, quando escutei o estrondo. Corri abri a janela na procura do ocorrido foi quando eu vi as nuvens brancas refletidas no oceano.

A princípio parecia miragem, jamais vi tamanha beleza, por segundos fiquei em estado de puro êxtase. Como o azul celeste, e as nuvens brancas flutuantes, poderiam se unir com o azul índigo do oceano? 

Foi quando me deparei com a realidade, estava no meio de uma tempestade, então, fiquei muito assustada, perdida, desorientada. Corria pelos cômodos da casa, não achava ninguém. Nem o teto podia mais me dar abrigo, a água subia, envolvia todos os cantos.

Eu estava numa tempestade, quando vi as nuvens brancas refletidas no oceano, procurava por mim mesma, só via aquela beleza que causava horror, minha casa afundava, meus amigos sumiram, já não via minhas crianças, não escutava meu marido,  meu cachorro estava longe. Nada fazia sentido naquele lugar, puro vazio, estrondos e solidão. E o que é a gente sem outro alguém? Somos humanos na presença do outro. Precisamos de outrem para nos refletir. E vice-versa,  igual quando o céu vira oceano.

Não sabia se eu pulava naquelas nuvens, ou, se eu ficava ali no canto acuada, esperando a tempestade me devorar. Se pulasse naquele oceano nenhuma nuvem ia me segurar, eu ia afundar. Talvez descobrisse os mistérios do mundo marítimo, quem sabe, talvez aprendesse a nadar em toda e qualquer profundeza. 

Já não sabia se ali era a água do mar, já não sabia se estava no céu. E o que é o céu? É muito mais que a imensidão do azul, assim como, o oceano também é. 

Pulo ou fico? Ainda não sei voar, não aprendi a nadar, por horas só sei pensar e sentir. O que adianta isso a essa hora? Sou só eu e as forças da natureza, porém, a força  da natureza também vive em mim, terei que descobrir a saída. 

Quanto ao fim dessa história, também não sei, talvez fosse só o começo.