Fatiados

Corta daqui, ajeita de lá

Embrulha, desembrulha

Perde, acha

Joga fora, põe no lugar

Organiza, conserta

Agacha, levanta

Gira, estica

Limpa, suja

Pega no pesado e

Pega pesado

Os adereços, o endereço

As referências trocadas

Caixas, caixas e mais caixas

Pedaços nossos moram

Encaixotados

É na famiGERADA

Fadiga

Que se instiga

O melhor e o pior de si

Toda muDANÇA exige uma fatia generosa de paciência.

E o primeiro pedaço desse rolo vai para…


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Será que será?

De repente fui inundada por alegria e gratidão, sentimentos até então estranhos deu admitir e lidar; sentimentos que muitos almejam, mas nem todos têm, e pior não têm coragem de dizer que não têm por causa do tribunal social.

Agora têm dias que me pego cantando, dançando, fazendo piada. Já não é mais um peso levar as crianças de manhã para a escola na temperatura abaixo de zero; e nem buscá-las naquele inevitável encontro de mães na porta da escola. O constrangimento de não falar outra língua já não é devassador…

A gratidão tomou outro sentido, antes eu me sentia obrigada à tê-la porque tenho todas as condições para uma vida agradável, agora ela brota naturalmente e flori nas minhas ações e palavras.

Essa semana estou com bastante dor por causa de uma cistite; comecei um curso online de alemão (hei de aprender essa língua de um jeito ou de outro); o marido está viajando (o que significa trabalho dobrado); foi aniversário da minha filha; a casa está de um jeito que não gosto nem de olhar e eu estou aqui deitada escrevendo por causa da dor na bexiga, o que era impensável tempos atrás (tudo tinha que estar perfeito).

Enfim, muitas frentes para atuar e estou com energia para isso, o que é maravilhoso! Quando não estou respeito meu tempo.

Na terapia semanal voltei a repetir:

  • Essa não sou eu, estou satisfeita assim, mas, e quando parar com os remédios?

Resposta:

Muito estranho você achar que o antidepressivo vai entrar no teu cérebro e mudar a sua personalidade. Será que os outros remédios para o corpo também são assim? Será que você não estava encoberta por uma distimia? Será que não é fruto do seu trabalho de mudança? Será que você não quer admitir que pode ser feliz?

Vocês sabem que psicóloga adoram um “será”, né?

O importante é que não estou mais fazendo cera para cuidar da vida, assim que percebi que as capacidades corporais e cognitivas estão voltando, estou as usufruindo todinha.

A vida é um contar, quando estou mal conto, quando estou bem conto também. Assim vão somando os dias.

  • Título baseado na canção “O que será” de Chico Buarque.
    A foto é do Pixabay, site de domínio público, de onde baixo a maioria das fotos que há por aqui. Fica a dica. As fotos que são de minha autoria têm a marca d’agua do blog.
    Essa foto me lembrou o filme Mary Poppins 2 que assisti no cinema ontem com as crianças. Apesar de entender metade (e olha que estava em inglês, imagina em alemão), nós adoramos e eu o recomendo para uma injeção de ânimo e imaginação. Esse filme está passando no Brasil? Se sim, digam-me quais foram suas impressões que quero escrever sobre ele.

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Inovação.

Vamos jogar uma concha no chão

Ela é de metal

Faz um tilintar

Eu piso daqui

Você pisa daí

Aprazível mudar a função

Vamos ver quem mira mais alto

Não vale chutar

Não vale arrastar

O alvo é acertar o oval

Pitoresca e vital inovação

Não precisamos de muito para ser radiante

A Terra é girante

Vamos jogar a inconsequência no chão

Algo haverá de se transformar

Em nós.

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