Mira dos loucos.

O que há debaixo da mina
Daquela que poucos vêem?

Há um submundo despudorado

Sem mente não se pode ver/

Quem passa por é explorado
Por pedras que acham explorar

Pedaço de terra tirado
Fica manchado quem frequenta o lugar/

Brilho e tinido na pedra bruta
Martela, martela que há de encontrar

Assim se alimenta a regalia
De quem vive no andar de acolá/

Explosão no subsolo o que importa é
Ouro, luxo e carvão

Veja só
O mineiro que cava
A defender seu pedaço de pão/

Se repete a história nos tempos
Nada de novo se vê nesse chão

Enquanto de um lado da mina uns

Fragmenta

Granula

Moe

Classifica

Concentra

A mina

Do outro lado outros

Concentra

Classifica

Moe

Granula e

Fragmenta

Os mineiros/

Todos soterrados
Assim se vive e morre

Na mira
dos loucos.

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Somos recursos humanos.

Lá vêm eles descendo com seus ternos e suas malas pretas

Chicotes moderno

Hoje vão cortar cabeças

Produtividade brandam

Querendo gritar lucro.

A primeira cabeça rolou

Pai de família, meia idade

Filhos indo para faculdade

Seu orgulho e reprodução social

Tinha se preparado mais de 20 anos

Para estar ali, de repente, ficou obsoleto.

 

  • Como assim senhor?

  • Produtividade, concorrência, mercado.

– Dei meu máximo. 

– Precisamos de gente sem limites

Nossos recursos estão escassos.


Em nenhum momento foi mencionado a palavra lucro.

Tratando pessoas como recursos

É mais fácil aceitar o descarte.

 

  • Não consigo ter pensamento binário senhor.

– Quem disse que você precisa pensar?
Quando chegou na cabeça 137

A mala preta caiu no chão

Escorregou a foto de família

Esposa e crianças gêmeas

Revelou o escondido

Atrás daquele recurso humano

Homem não chora, pensou, e se recolocou.

 

 Muito obrigado por todos esses anos de prestatividade e Boa Sorte seu Alberto.

– Para o senhor e sua família também senhor Maurício.

 

Os dois foram rasgados

Como notas sem valor.