Lua

Têm dias que a escrita
São letras arrancadas da pele
Num risco profundo das unhas imaginárias
Como se fosse arranhar a aura
Sem saber
Que lá fora está a superlua de sangue
Ainda assim
Não somos atingidos por nenhuma gota
Ela segura em si

Olhou para o céu hoje?

A lua tem pele
Têm veias
Tem vida
A lua tem magnificência
Na qual suporta
Quatro fases
Em um mês
Está lá
Enquanto nós
Na sombra e na escuridão
Escrevemos
Nossa rotação na Terra

Esta obra está licenciada com uma Licença
Creative Commons Atribuição Não Comercial Compartilha Igual 4.0 Internacional

Bronzeada.

Mais de meia noite, continuo deitada na rede da sacada para ver o fenômeno da lua vermelha. Esperava escuridão e quietude…

Es tut mir leid (me desculpe) mas a lei do silêncio não funciona para os nativos, talvez sim para os latinos.

Escuto o bater de garrafas, gargalhadas se misturam com o barulho da avenida, carro, moto, caminhão, quebrou uma garrafa. Como será que se fala caco em alemão?

O céu está iluminado pelas luzes da cidade, chega madrugada, chega. O brilho das estrelas disputam espaço com os dos aviões. Às vezes tenho a impressão que o tráfego é maior no céu do que no chão.

Será que estou com a vista embaralhada? Trágico se não fosse habitual. De fato não enxergamos quase nada na escuridão. Mas aqui está tão claro, tão, tão. As perturbações são evidentes.

Posso ver Marte claramente. Será que ele me vê?

Dizem às crianças que quando morremos viramos estrelinhas…
Já identifiquei a rota

A lua começa clarear
Gradativamente

Mudo de posição mas não gosto de balançar
A rede não respeita
Ela foi feita para o movimento

Não entendo nada do que eles falam
Será que também estão vendo a lua?

Milhares de olhares no mundo estão a lhe mirar
Nesse pensamento recebo um pouco de conforto da interligação

Embaixo da mesma lua
Olhar não tem nação

Estou sem noção do porquê bateu essa ansiedade

Acabei de voltar de férias…

O barulho me incômoda
Vejo uma luz que não é tão rápida como as aeronaves e nem tão estática como as estrelas.

O que será?
Só pode ser um drone
Afinal hoje em dia fenômenos são para serem filmados e divulgados
A melhor foto, o melhor lugar, o melhor tudo.

Vim aqui buscar o nada, desisti, vou voltar para a cama
A que chamo de minha, à qual muito tempo não via.

Espero que nela encontre escuridão e silêncio
Foram dias intensos de muita informação
Preciso assimilar o que passa no meu céu.

Vou dormir, ao menos estou bronzeada, pelo banho da lua.

Boa noite.

Este trabalho está licenciado uma Licença

Creative Commons

Atribuição 4.0 Internacional

De rosto para a lua.

A lua e suas histórias
Assiste os fins, os afins e os enfins
Entende mais da Terra do que eu de mim/
Tão nua não sabe o que é hora
E eu contando os minutos
Sem nunca saber do último/
A lua conhece o infinito
E eu nem sei de onde vim
Ao menos ela podia me contar
Como é iluminar a escuridão
Dia após dia
Sem se cansar de luar/
Quando é madrugada
Sua luz ainda dá banho no mar
Humanos seus fins, afins e enfins/
A lua é infinita
Assim ela me contou
Num sonho de amor
Antes deu crescer
Sonho que me fez nova
Fiquei cheia de vida
Mas de tanto olhar para baixo
Minguei/
A lua continua à brilhar
Hoje eu a vi
No céu azul

Preciso aprender à deitar no chão…

Este trabalho está licenciado uma Licença

Creative Commons

Atribuição 4.0 Internacional

Lua em mim.

O brilho difuso da lua

Mingua 

Cresce

Renova

Enche 

Todos recebemos

Na noite

Luz

Pouco prestigiada 

Que não deixa de derramar

Ciclos que renovam

Energia que enche

Conhecimento que cresce 

Enquanto mingua o ser

Lua lá longe

Eu aqui perto 

Do nada

Nada…

Vejo reflexos do 

Luar derramado em flores

Clarão

Invada a noite

Do meu ser

Claridade busco 

Nesse contemplar 

Broto em fases

Do seu luar