Curiosamente

Recebi essa foto de uma amiga, que recebeu da irmã dela quem mora no Rio de Janeiro. Esse cartaz estava exposto na Bienal do Livro, isso mesmo, nessa que acabou de acontecer onde o prefeito mandou censurar uns livros…

Hoje parecia que eu estava num salão de baile com a tábua de passar roupas. Como sabem, mudei recentemente e foi uma boa oportunidade para lavar e passar a capa do sofá, meu elefante branco, aff.

A primeira imagem que tenho na cabeça, de emprego da minha mãe, é de passadeira. Curiosamente, ela não deixava eu passar roupas. Tinha que fazer todos os outros serviços da casa, exceto passar roupas.

Aprendi com minha vó Amélia, “olha começa pela gola e as mangas, depois vira assim oh, estica bem, e esse lado que passou tem que ficar pra lá”.

Também lembro delas usando ferro à brasa. Como trabalhavam…

Definitivamente, não tenho muita vocação para passar, meu marido que o diga. Acho uma perda de tempo e desperdiço para a natureza com o consumo exagerado de energia.

A sorte é que as crianças não usam uniformes, então, escolho tecidos maleáveis para suas roupas. Descobri que aqui na Alemanha eles não gostam de uniformes por causa da época do nazismo. A história e seus rastros…

Antes de passar as roupas, desci no keller (espécie de porão dos apartamentos, quarto de despejo) e resgatei a caixa com meus livros que ainda estava lá.

Se vi traças circulando dentro do apê na madrugada, imaginem por lá. Por essa decepção não vou passar.

Então, fiquei imaginando se essas traças não forem de livros e sim de tecidos. Será que aceitam um sofá de capa branca?

Brincadeiras à parte, o fato é que antes de ser do lar, fui formada no ler: ler pessoas, flores, bula de remédios, canto dos pássaros, barulho do vento, páginas amarelas (quando existiam), livros, livros e livres.

Sendo assim, há uma profunda relação entre o meu existir e o ato de escrever. Escrevo logo existo.

Curiosa.mente, eu não deixo faltar livros para meus filhos.


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Vida de cachorro

REMEMORANDO

Vamos rememorar a escrita de abril do ano passado ➡️ Já viu esse filme?

A foto do post é de “A dama e o vagabundo”, mas o poema é das omissões da vida real.

Lembrei desse post após observar os donos passearem com seus cachorros na praia. Geralmente sem coleira. Um deles jogava a bolinha e o cachorro corria buscar. Os dois se divertiam bastante. Até então o “proprietário” estava no comando do doberman.

Eis que aparece também livre, leve e solto um pastor alemão. Aquele procedimento de um cheirar o outro. A tensão vigente entre os donos, chamando as crias pelo nome e aprontando as coleiras. Já que os dois cachorros eram de raças grandes e potencialmente perigosos.

E eis que os cachorros se desconectam completamente dos comandos e voltam ao seus seres naturais. Rolam na areia, correm, brincam de pega pega, latem. E, para o desespero dos donos, entram no mar gelado e rolam na areia de novo.

Fazia tempo que eu não via tanto divertimento despretensioso. Viver o momento presente como diria as fontes meditativas.

De nada adiantava arguir com os cães e nem apresentar biscoitos cheio de aroma e sabor de carne. Os cachorros assumiram o comando e naquela hora só queriam ser cachorros sem rótulos ou funções.

Já viu esse filme?


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Um por carro

Quanta insanidade

Presos no tráfego

Um por carro/

Na estrada construída

Para correr

Um por carro/

No estacionamento pago

O que não é pago

Um por carro/

No chão

Corre com o vento

Poluição

Todos por um carro/

Mobilidade

Passageira

Corro/

Cara

Ilusória

Destruidora/

Nos rastros

Dos carros queimamos

Nosso combustível mais raro

A liberdade.

Descobertas à vista.

Vede as crianças brincando (no parque)

Correm e caem

Choram e se consolam

Brigam e esquecem

Sorriem sempre sorriem

Mexem na areia

Cutucam os bichinhos

Desafiam o pula pula

Se provocam

Se abraçam

Vede as crianças brincando

Há birra, barulho e confusão

Mas não há indiferença

De tanto brincar

Esquecem do tempo

De ir no banheiro

Esquecem de comer

Esquecem de fazer lição

Só não esquecem de aprontar

O sorriso

Vede brincando os adultos…

Música: Sou uma criança e não entendo nada.
Intérpretes: Arnaldo Antunes e Erasmo Carlos
Composição: Erasmo Carlos
Lançamento: 1980

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