Como der, ou puder, ou quiser

Se hoje eu fosse abduzida e tivesse que responder qual a melhor contribuição do Carnaval para os brasileiros, sem dúvida eu responderia que foi a composição de Gonzaguinha.

Todos os carnavais eu canto essa música e também naqueles dias de muito êxtase. Ela tem um quê de elevação da alma.

Atenção, se essa música entrar na sua mente e não quiser sair mais, saiba que não fui eu a responsável, risos.

Nessa melodia, mais do que nos dizer que somos eternos aprendizes, ela nos põe o questionamento que sempre nos acompanha do começo ao fim da existência:

O que é a vida?

Na reposta da música têm toques de positivismo como

  • Eu fico com a pureza da resposta das crianças
  • Podia ser bem melhor e será

Outros de negativismo

  • Melhor é morrer
  • O verbo é sofrer

Mas, de tudo a parte que mais me balança é essa aqui:

Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser

Olha lá, toda a responsabilidade que nos foi dada “em cada batida do coração” tanto para aqueles que acreditam no nada, quanto para aqueles que acreditam no divino. Tanto para os serviçais do tempo, quanto para o bon vivant. Ela passa…

Ela passa vibrante, barulhenta, controversa, colorida, competitiva. Com suas alas, fantasias, quesitos para evolução e harmonia. Eis a escola da vida para nosso samba.

O compositor dessa música de 1982 é Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior), filho do rei do baião, morreu aos 45 anos vítima de um acidente de carro. Formou-se em economia, mas nunca exerceu a profissão. A letra:

O que é? O que é?
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita
No gogó!
Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita
Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita
E a vida
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida de um coração
Ela é uma doce ilusão, ê ô!
Mas e a vida
Ela é maravilha ou é sofrimento?
Ela é alegria ou lamento?
O que é? O que é?
Meu irmão
Há quem fale
Que a vida da gente
É um nada no mundo
É uma gota, é um tempo
Que nem dá um segundo
Há quem fale
Que é um divino
Mistério profundo
É o sopro do criador
Numa atitude repleta de amor
Você diz que é luta e prazer
Ele diz que a vida é viver
Ela diz que melhor é morrer
Pois amada não é
E o verbo é sofrer
Eu só sei que confio na moça
E na moça eu ponho a força da fé
Somos nós que fazemos a vida
Como der, ou puder, ou quiser
Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita
Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita
Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita (bonito!)
Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz
Cantar e cantar e cantar
A beleza de ser
Um eterno aprendiz
Ah meu Deus!
Eu sei, eu sei
Que a vida devia ser
Bem melhor e será
Mas isso não impede
Que eu repita
É bonita, é bonita
E é bonita
Viver
E não ter a vergonha
De ser feliz


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