O que é mais importante agora?

O que realmente é importante agora?

Essa pergunta nos nortearia se soubéssemos usá-la na hora certa.

Por aqui está fazendo quase 40 graus, um calor extenuante para um local que fica mais do que meio ano gelado. Dia de tirar os vestidos e as sandálias do fundo do armário e ir cuidar da vida. Foi o que fiz.

Dessa vez fui de antemão no consultório do psquiatra para buscar a receita do antidepressivo, já que vou ficar muitos dias no Brasil.

Levantei, fiz a caminhada matinal na floresta, a aula de alemão online e logo tinha que pegar o trem rumo ao consultório.

Tudo normal até que descola o solado da minha sandália. Olhei aquilo e não acreditei, não sabia se ria ou se chorava, não sabia se ela não aguentou o calor do chão, ou se não gostou de ficar guardada por tanto tempo…

Continuei andando já que o trem não espera ninguém (NEM A VIDA). Aí pensei, vou voltar pra casa e pego a receita depois do horário de almoço, mas tinha marcado um café com uma mãe brasileira que é nova na escola das crianças. Tudo em cima da risca.

Só pensava:

O que é mais importante agora?

O que é mais importante agora?

Quando me dei por conta já estava dentro do trem. Olhei para baixo e adivinha… saiu o outro solado também. Ohhh!

Fui pisando em ovos para a sandália não desmontar de vez. Respirei fundo e deduzi, o que preciso agora é da receita.

Subi as escadas pronta para tudo, fiz cara de paisagem e calma, a secretária mandou eu sentar na sala de espera, não pude nem cruzar as pernas.

Com a receita em mãos voltei para casa, meu filho foi me encontrar na porta da farmácia com outra sandália e continuei a jornada.

O que é mais importante agora, responde um passo de cada vez quando estamos quebrados.

Como disseram minhas amigas brasileiras: não é fácil ser uma madame européia 😂😂😂


e-books por Cristileine Leão

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Pronto falei.

Vou ao psiquiatra frequentemente e faço terapia com a psicóloga semanalmente. Algumas vezes relato aqui para vocês como foi a consulta. Aí meus conhecidos me enchem de questões: Você não acha que é super exposição? Você não acha que vai ficar estigmatizada? Que todos vão te olhar torto? Que vão deixar de abrir portas e dar oportunidade? Você não tem vergonha? Você, você, você. 

Okay, lá vai minha resposta coletiva: tenho “orgulho” de poder ter a oportunidade e condições de tratar dessa doença. A mente adoece como o coração, o rim, os olhos, o dedo mindinho. Penso que, antes ter depressão com consciência do que ser o depressivo “orgulhoso”. Pronto falei.

Divido minhas experiências como forma de conscientização para cuidarmos da saúde mental. Chega uma hora na vida que não dá mais para ficar pensando no “mas e se”. 

Por falar nisso, esses dias tive retorno no psiquiatra, agora as consultas são bem mais espassadas. Correu tudo muito bem até ele fixar nos meus olhos e perguntar:

– Frau Leao me diga quais seus planos para o mês que vem?

– Ah? Eh? O quê? Como?

Tentei fazer meus botões trabalharem rápido, mas só veio como resposta o blog…

Fui embora pensativa, sou uma pessoa totalmente do presente, não sou de ficar pensando no passado e nem tenho projetos para o futuro. Acho isso tudo muito estranho, sem objetivo, sem ambições, sem sonhos. Isso faz parte do quadro depressivo. A falta de enfrentamento, o estar acuada, o medo de errar, o cansaço de viver, a negatividade. Aí, eca, preciso continuar me tratando mesmo.

Meu marido faz uma tal de mandala pessoal e consegue se projetar para daqui há dez anos. Diz saber até quando vai se aposentar e que será bem antes dos 60. Eu não consigo fazer essa visualização nem para o próximo mês. Minha meta ultimamente está sendo postar no blogue todo dia e visitar minha família anualmente. 

Enfim, esse som do Zeca Pagodinho (deixa a vida me levar/vida leva eu) nunca me incomodou, pelo contrário, achava que eu era privilegiada por viver o hoje. Mas, depois dessa consulta, e depois que li essa reportagem abaixo, da revista Superinteressante, tenho revisto meus conceitos. A negatividade nunca vai sair de mim se eu não mudar meus hábitos. 

Quanto menos meta, menos acerto.

Quanto menos acerto, mais negatividade.

Quanto mais negatividade, mais depressão.

E o ciclo se repete… 

O contra ataque é ter foco, objetivos reais, não generalista. 

Por isso, já estou fazendo planos para tentar ajustar tudo isso, conto para vocês num outro post, que esse já está ficando longo demais. 

Aqui a reportagem

Pessoas com depressão tendem a buscar ALVOS ABSTRATOS e isso não é bom.

Menina soltando o coração…Vejo esse grafite debaixo da ponte os dias que vou caminhar.

E aqui seguem meus posts das consultas anteriores:

A viagem não é para sempre.

Sala de espera.

Cortina ao vento.

Abraços e até mais🙋🏽‍♀️