Obrigada. De nada.

De nada

Sou obrigada

A aceitar

Os desaforos

Que outrora

Foram

Juras de amor

Obrigada por mim

Ter benfeito

Mas de nada

Adianta vir

Acompanhado de trilhares

Dos seus bem-feitos

Obrigada

Não lhe dou o direito

De dizer que sou só mais uma

De nada

Não sou gado

Sou obra sagrada

E danada para

Cumprir o próprio trilho

Meus cumprimentos.



e-books por Cristileine Leão

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Matadouro.

Tento roer essa carne
Muito dura

Disseram que é bem temperada

Pode ser

Sonegaram o vencimento 

Conservantes e amaciante é lei

Meus dentes doem

Eu tento, tento

Com tão vastos campos pro sustento 

Muita mata

Foi se o ouro

Empregos viram ração 

As mandíbulas estão cansadas 

Tento do outro lado

Imito meus parceiros

Os do clareamento

Mas já estão mastigando ossos

O filé foi só pra dar água na boca

Agora pago rios de juros

Tudo perdeu o sabor

Virei o boi 

No matadouro

Brasil.

Idílio de amar.

Já fiz 

Promessas à  estrela cadente 

Será que ela sabe o que é gente

No idílio de amar?

Os anos passam

Não seguiremos nossos sonhos

Temendo o pesadelo

Da dúvida 

Em dívida 

Conosco mesmo

Seguimos 

Os anos passam

As estrelas cadentes também 

Os desejos irrealizáveis ficam

As pessoas passam

As histórias passam

Os desejos irrealizáveis ficam 

Riscando o céu 

No idílio de amar