A violência

A violência é democrática

Acontece que

A democracia está morrendo

A violência não

O povo abraça a democracia

Como tábua de salvação

E é abraçado pela violência

Não há regime ou religião

Que ensine

O homem a ter humanidade

Se assim ele não quiser

A equiparidade vem com

O senso de responsabilidade

Social

Pessoal

Intrapessoal

Interpessoal

Um sinal

Que apita na consciência

De quem se dispõe a ouvir

Mas

O barulho da violência

Procura ser mais estridente

Para intimidar toda gente

Que se dispõe a evoluir

Diante da tamanha farfalhada

Não é de se admirar

Perpetuar-se nas ruas e nas casas

A eleita guerra fria

Entre medíocres e covardes.

Entre livros e o infinito

A consciência não envelhece
A inteligência sim

A inteligência nos engrandece
A consciência nos faz fluir

De inteligência vivem os acúmulos
Já a consciência vive além túmulos

A inteligência é venerada
A consciência é soberana

Corremos na caça de inteligência
Sem saber que somos mais presas

Do que caçadores
De consciência.



e-books por Cristileine Leão

Continue lendo “Entre livros e o infinito”

Carta aos professores de filosofia

Querido professor,

Eu sei, os dias estão árduos para você que mais do que estudar acreditou que o amor à sabedoria abre portas, mentes e forma gente que vive além do ter.

Você bem sabe, essa não é a primeira vez que a história ruma para a barbaridade.

Ainda assim, temos o exemplo socrático que ensinava em praça pública. Suas palavras jamais foram esquecidas. A liberdade e o conhecimento não morrem nem com cicuta.

Prezado professor, o mundo líquido escorre pelas mãos, tudo flui, mas somos feitos de carne e osso, com as mesmas necessidades de pão, afeto e afetAção.

Por que queremos voltar para a banalidade do mal?

Todos os dias o sol nasce e se põe, e, reconhecemos a maestria da beleza da natureza. Nossa vida busca estética e ética.

Uns são existencialistas; outros seguem os afãs de São Tomás de Aquino. Há os niilistas onde o nada é tudo, mas muitos desconhecem o super herói de Nietzsche e preferem acreditar nos super-heróis de cinema. Ter noção e responsabilidade das próprias ações é para os fortes.

Sabe professor, a verdade não está nem no mundo das ideias e nem no cetiscismo de Schopecheuer. O céu, o inferno, a cultura de massa, a lógica aristotélica, o rigor cartesiano, a virtude de Espinosa, a política de Maquiavel (melhor ser temido do que ser amado), e outros exemplos mil. São só modelos do melhor, e do pior, do que fomos e do que podemos vir a ser.

O melhor que aprendi em suas aulas foi formar os próprios conceitos. Eu sei é mais fácil ser passageiro que condutor nessa estrada. Mas, será que todos têm consciência de que a vida é única aqui e agora? E mesmo quando houver o passar, alguém amado há de ficar.

Ah professor, dizem que filosofia é tão difícil e que não serve para nada. Ah se eles tivessem minha infância e vissem um porco sendo morto por facadas e ainda assim se levantar e correr atrás das crianças. Ah se ao menos lessem “A revolução dos bichos”, de George Orwell, saberiam que a diferença não está no sistema mas na postura das pessoas.

Lembra professor de quando queimavam livros e bruxas? Do que será que o homem tem tanto medo? Por que mesmo morreu Tiradentes?

Ah se todos tivessem direito à educação de qualidade para formar cidadãos pensantes, mas preferem formar serviçais para perpetuar a coroa. Mão de obra barata essa é a realidade de quem prefere o aceitar sem questionar.

A sorte é que nunca deixarão de existir filósofos, tal como a noite não consegue apagar o brilho das estrelas.

Arroba, sinal gráfico formado por um ‘a’ minúsculo envolto num círculo aberto, usado nos endereços de correio eletrônico com o sentido de ‘em‘ (subordinação de lugar).

Professor = sinal, formado, envolto num círculo, com sentido de ‘em, mas e porém’. Ainda que subordinado ao lugar, circula o mundo.


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Vamos ser pipocas?

“O movimento é para fora”

Essa frase da minha psicóloga é uma daquelas que vira e mexe me cutuca. Quem é introvertido, gosta de silêncio e solidão, passou por episódios depressivos, entende bem do que estou falando.

Demorei muito para falar para as minhas amigas por exemplo: “olha eu gosto de você, mas prefiro ficar em casa em casa“, e muitas não estão preparados para ouvir isso. Nessa hora percebe quem vai e quem fica.

Acontece que muitos foram e eu fui ficando, ficando, até o dia que não conseguia mais ficar dentro de mim mesma…

Atualmente consigo ver mais beleza nos fatos e nas pessoas, então, esse movimento flui sem maiores sacrifícios. A vida é feita de espantos, bons e ruins, e ficar nos reduzidos em nosso tijolo não há construção.

Por muito tempo fui a pessoa que queria salvar o mundo mas morria de medo de pôr o pé para fora de casa. Hoje não sou muito diferente, mas tenho a consciência de que o movimento é para fora.

Veja bem,

o milho, vira pipoca;

o botão, vira flor;

as gotas juntas, oceano.

Não deixei de ter a visão crítica dos acontecimentos, porém, me sinto menos ácida, logo não estou repelindo ninguém. Risos.

Hoje olhando para trás percebo o tanto que as pessoas foram (são) amorosas e calorosas comigo, o que posso fazer é reparar o tempo perdido, pôr curativos nas feridas e não ter vergonha de dizer eu te amo.

Os bons sentimentos transpassam o outro, ainda que, você não use uma palavra: o olhar, o sorriso, a aceitação, a presença.

Tudo diz quem você é. E, todos nós somos carregados de fragilidades e precisamos de carinho e atenção.

Repito: todos nós.

Esteja certo que mesmo que exista o ser mais resolvido da face da Terra, esse só é assim porque já foi assado.

Então, convido: sejamos todos pipoca.


Cristileine Leão

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