A Banda e a Caixa

“O homem sério que contava dinheiro parou
O faroleiro que contava vantagem parou
A namorada que contava as estrelas parou
Para ver, ouvir e dar passagem
A moça triste que vivia calada sorriu
A rosa triste que vivia fechada se abriu
E a meninada toda se assanhou
Pra ver a banda passar
Cantando coisas de amor”

A música “A Banda“, de Chico Buarque de Holanda, feita em 1966, está fazendo o maior rebole nos meus pensamentos esses dias.

Muito além de uma crítica política e social, “A Banda” pode ter muitos significados, como por exemplo – a poesia, afinal ninguém fica o mesmo ser quando é tocado pela poesia, ela é um som que une os distintos, que traz sintonia, êxtase e renovação.

Outro sentido que podemos dar à música, é o lutar pelo bem comum, a identidade coletiva, a formação de um povo, de uma mesma voz.

Mas, essa não é uma ideia minha, é do professor Rubem Alves que lhe explica maravilhosamente nesse discurso feito em 1990 na Unicamp.

Como ia dizendo, minhas conexões cerebrais remeteu à Banda ao livro “O Pequeno Príncipe”, autor Antoine de Saint-Exupéry, de 1943.

O Pequeno Príncipe visitou diversos planetas: do rei, do bêbado, do homem de negócios, do acendedor de lampiões, do geógrafo, do astrônomo, do vaidoso.

Nos quais os seus senhores só estavam preocupados com suas próprias ocupações, como crianças em estágio simbólico.

Será que “A Banda” já tinha passado por aqueles planetas, ou, nunca ouviram o som dela?

“E cada qual no seu canto
E em cada canto uma dor
Depois da banda passar
Cantando coisas de amor”

Mas, como nós estamos vivendo num reino muito distante disso tudo.

Não é mesmo?

Então, o melhor que temos para fazer é desenhar como piloto aprendizes, fazer melodias, poesias, criações. Abrir a caixa da imaginação.

Que a caixa esteja vibrante quando a banda passar cantando coisas de amor.

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