Ser gentil

Literalmente minha vida começou aos 40, hoje completando mais 2 anos dou os primeiros passos e aprendo a falar.

Coincidência ou não, isso acontece paralelamente ao início do tratamento da depressão. Com ele assumi que precisava de ajuda, que estava disposta a mudar, que algo de estranho ocorria com minha personalidade, sentimentos e ações.

Assim, comecei olhar para tudo do lado de fora e perceber que precisava ser mais gentil com o lado de dentro.

Nessa busca o melhor encontro foi com a poesia, ela sempre existiu dentro de mim, mas, por causa dos cuidados e demandas da vida deixei de ver, sentir, ouvir e escrever.

Nesse aniversário percebo a importância da caminhada, ouço o canto dos pássaros, vejo a variedade das flores e o sorriso nos outros a cada bom dia dito.

Nascemos para o movimento, o movimento gera energia, a energia gera ação, e as consequências das ações nos dita o caminho.

Hoje pedi para a minha mãe comprar a vela de 42 anos, quero soprar a velinha enquanto ainda tenho o sopro. O fogo se apaga na esperança do próximo parabéns.

E saber que por muitos anos passei sem acender a chama, ou porque tinha colocado fogo no bolo, ou porque achava sem graça e funcionalidade das datas comemorativas.

Realmente estamos aqui para aprender que tudo tem o sentido ao qual lhe damos. Hoje estou repleta de gratidão, um sentimento pleno e puro que estava adormecido diante de tantas camadas de dor e auto proteção.

A gratidão só se manifesta aonde há vida, a depressão é o oposto de vivacidade. Para mim, a poesia foi (é) o elo entre a sombra e a luz.

E para você? O que te faz viver?

Claro que continuo com muitos desafios como o da socialização, o da exposição, de metas, de focos, realizações… o que mudou foi o olhar e a disposição para o enfrentamento.

Tudo se resume em ser gentil, ser gentil consigo, ser gentil com os outros, ser gentil com a Terra.

Expressando em parábolas, do que belamente cantou Elis Regina na música “Como nossos Pais“:

eu bem sei da ferida viva do meu coração,

mas
meus braços, meus lábios e a minha voz foram feitos para abraçar e beijar.

Por mais que eu ame mais escrever do que falar, eu não quero apenas lhes falar das coisas que aprendi nos livros

pois,
viver é melhor que sonhar e
qualquer canto desse mundo que já conheci é bem menor do que a vida de qualquer pessoa.

O novo sempre vem.

Para quem quiser saber o sabor do bolo, será de olho de sogra. Risos. Nada pessoal, adoro beijinho com ameixas.

Obrigada pela leitura e pela presença pessoal🙋🏽‍♀️

Cris.

Leia também – O valor da cor – post do aniversário passado

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Não vai se arrepender.

Amanhã é o aniversário da minha filha. Hoje foi dia de preparar o bolo para ela levar na escola. Nos outros anos, comprava algum na confeitaria e pronto. Nesse resolvi mudar. Só posso dizer que foi gratificante. Mais do que o bolo, do que o recheio de brigadeiro e da decoração feita por ela, o que mais valeu foram os momentos juntas.

Gosto de praticidade e simplicidade, ela também, buscamos os ingredientes no supermercado. Aqui há as camadas do bolo prontas, no formato desejado, é só comprar e rechear. Ensinei a ela fazer pequenos furos com o palito e besuntar com suco de laranja para ficar mais molhadinho. Depois veio a camada de brigadeiro que eu fiz. Ela esparramou com a espátula camada por camada. Por fim a cobertura de chocolate e os confeitos que ela havia escolhido. Ela quis fazer um coração no meio, o que já explica o seu nome “digna de ser amada”. E de fato é. Como é, foi quem mais me deu a mãozinha quando muito eu estava precisando. A vida têm dessas coisas, uma criança cuidando de uma mãe… Fiquei pensando porque demorei tanto para por a mão na massa. Foi uma tarde maravilhosa!

Atualmente compramos tudo pronto, escolhemos o mais belo, nem precisa ser o mais saboroso. Assim, perdemos o prazer que está no preparo, o descobrimento de estar juntos, o carinho do “feito em casa”, “feito à mão”.

Reunir e bagunçar a cozinha, passar conhecimentos que ficarão para sempre, os mesmos que um dia recebemos. Perceber a curiosidade e o espanto das crianças quando vê tudo se transformando e criando forma nesse ambiente mágico que é a cozinha.

Eu só escutava: ficou do jeito que eu queria, obrigada mãe. Recebia o sorriso no rosto daquele boca ainda banguela e os olhos brilhavam mais que a vela que acenderá.

Achei que fiz tão pouco por aquela tamanha gratidão. E o porquê estou lhes contando tudo isso, para mostrar quantos benefícios perdemos quando se está dentro da caverna, e/ou, querendo fazer coisas só para impressionar os outros.

Eu falei, mas filha essa parte aqui está torta. E daí mãe, só sei que quem comer não vai se arrepender… o mesmo vale para a vida.

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