Saudade outonal

Rebstock Parque, Frankfurt.

Quem levanta tão alto as folhas do véu caminho?

Àquelas que amadureceram

Desprendidas

Dançam ao vento

No rodopiar das estações.

Como pode uma folha viva

Viver longe do seu ramo?

Deixar a árvore vazia

Gelada e com poucos encantos.

Para onde vão as folhas na varredura do tempo?

Só o vento

Só o vento

Que sopra o invisível

para acalmar

Aquela dor indizível

Nessa saudade outonal.


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3 comentários

  1. Para você deve ser bem diferente, saber que aí estás no outono e a sua saudade seja o verão ou a primavera das bandas de cá…

  2. Enigmático o rumo da poesia… nesse poema eu me coloquei no lugar de uma pessoa querida que perdeu alguém importante, então, falava de morte. Minha saída (distância) do Brasil também foi uma morte (da proximidade, da área de conforto), mas, uma morte tolerável, têm outras que não são… Ainda assim, o vento continua soprando as folhas ao infinito.

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