Depressão com Poesia

Rumos e frequências

Nasci com um problema congênito nas pernas que as deixavam cada vez mais tortas conforme o crescimento, sou leiga e não sei o nome, só lembro do médico dizendo:

“o fêmur dela deveria desenvolver para fora, mas, foi para dentro; vamos ter que cortar, tirar um pedaço, virar para o lugar certo, pôr uma placa com parafusos até ele crescer e colar, depois fazemos outra cirurgia para tirar a placa.”

Eu tinha quase nove anos na época. Isso tudo durou até aos pouco mais de 14 quando voltei a andar.

Esses dias eu estava pensando sobre a ossatura, conclui que ela é a parte mais dura do corpo humano.

Fiquei refletindo como esse evento refletiu na minha personalidade e o que ele queria me dar de aprendizagem: nos rumos, nos prumos e no suprassumo.

Logo depois percebi que a ossatura não é a parte mais dura do corpo, eu continuo leiga, mesmo com mais de 40 anos. Ossos não têm frequências.

A parte mais dura é aquela que não têm emendas quando quebrada. É aquela que nada aplaca se só e liquidada solidificada. É aquela onde parafusos e colas não aderem. É aquela que precisa primeiro se desenvolver para dentro para depois desenvolver para fora. É aquela que recebe a cura através das batidas do Universo, que todos os dias continua na íntegra com seu movimento de vida.

Tum tum, tum tum, tum tum.

A parte mais dura é também a mais mole.

6 thoughts on “Rumos e frequências

  1. Estas memórias chegam em forma de vida e na moleza de nossas emoções endurecem o que de fato nos motiva a viver… Estou aqui a refletir sobre a ossatura e coração… podem ser moles ou duros, só não podemos ter é uma cabeça dura…

  2. Essa frase que me veio no texto “ossatura não tem frequência” está mexendo comigo até agora… Temos a frequência cardíaca que querendo ou não nos conecta com tudo e com todos… já quando tivermos só os ossos, o que vale é como pulsou nossa frequência (a do coração e a da presença).

  3. Bom saber… ainda não terminei a leitura do seu livro para conclusão, comecei a pós e estou repleta de leituras e tarefas. Mas, pelas lives já posso imaginar o sentido da sua conexão. Filósofos, poetas, educadores, terapeutas e artistas conversam com o silêncio do infinito. Nesse caso o fecho e o trecho pouco importam, rsrs.

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