Depressão com Poesia

O parto e o partir

Nascer é ao mesmo tempo um parto e um partir…


Por nove meses o feto se desenvolve no ventre

O ar, o alimento, o suspiro, o alento
Emitidos através do cordão

O corpo da mãe se transforma, abre espaço, comprime órgãos para dar espaço para outro corpo

A vida se arrisca para vida

Quanto amor!

Formam se leite, dentes, ossos, cabelos, sonhos e contemplação

A pelve se abre ao parto

Hora de partida e partilhas

Choro, cheiro e colostro…

Quando os olhos se abrem
E as peles se tocam
Aquele que só era sentido e desejado
Torna-se ser manifestado

No mesmo instante

Algo se parte em nosso coração

Por toda a vida

Por toda a lida

Essa fenda só é preenchida
Pelo olhar codificado
Do filho

São as impressões de auras
Tão invisíveis
E percetíveis
Em cada parto e partida

Em cada parto e partida
Há a esperança de se
Eternizar.

Bem vinda ternura!

Hoje uma amiga me contacta com a alegria da notícia de que está grávida! Puxa, fiquei feliz por dividir a notícia e me vieram memórias desse momento mágico. Quando escuto: mas é de risco, Cris… já tive dois abortos antes. Deu um nó na garganta, troquei meia dúzia de palavras dizendo pra ela incluir essas almas que precisaram de tão pouco tempo por aqui. Voltei a dizer da esperança que se move em seu ventre agora. Sonhamos nos encontrar depois que o inverno passar… Quando desliguei o telefone, os versos começaram a chegar ao mesmo tempo que a reflexão sobre: 

O que não é de risco nessa vida?

3 thoughts on “O parto e o partir

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