Depressão com Poesia

Lá vai as mãos

Mãos que avançam além corpo

Mãos que buscam a perfeição mesmo sabendo que está longínqua

Mãos que abrem universo num carinho

Mãos que libertam passarinhos das gaiolas

Mãos que suspiram nos acenos

Mãos

Mãos que transpiram no trabalho

Mãos que se saúdam a eternidade

Mãos que dão alimentos e paz

Mãos cuidadoras

Mãos curadoras

Mãos

Com seus dê e dó a sonhar

Mãos

Fim da extensão do corpo e

Começo que se abre ao Todo

Mãos

Em cada entrelaçar de palmas ou de palmatórias

Lá vai as mãos

Sua história nos traços

A emanar vida

Amor e evolução

À mão

7 thoughts on “Lá vai as mãos

  1. Muito bonito Cris!

    No âmbito desta pandemia, estamos numa fase tão objectiva e pouco poética relativamente ás mãos. A toda a hora ouvimos dizer “lavar as mãos…lavar as mãos…lavar as mãos!”
    Por isso não resisto a dizer qual foi a minha primeira percepção quando li, de relance, o título deste poema “Lavai as mãos”. E pensei “lavar as mãos?”
    Logo o voltei a ler e vi que nada tinha a ver com isso. Deu-me vontade de rir.
    A verdade é que estamos totalmente condicionados por determinadas palavras que se repetem a toda a hora nos último mês e meio….
    Boa semana Cris e continue a partilhar connosco belos poemas como este!

  2. Lá vai o trem com o menino / lá vai a vida a rodar / lá vai ciranda e destino / cidade e noite a girar…
    Lá vai o trem sem destino / pro dia novo encontrar / correndo vai pela terra / vai pela serra / vai pelo mar.

    Pois é, aí estão o maestro Heitor Villa-Lobos (música) e, tempos depois, o poeta Ferreira Gullar (que um dia seria Prêmio Camões de Literatura), colocou a letra neste patrimônio do Brasil, que é o Trenzinho do Caipira.

    Bela postagem esta aí, a sua – para variar.

    Um abraço.
    DARLAN

  3. Querido Darlan,
    o trem caipira leva-me de volta à minha terra. Que saudade! Obrigada por trazer-me doces memórias.
    Até mais ver 🙋🏽‍♀️

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