Depressão com Poesia

Gravidez online

Qual a relação entre a camisinha e o celular?

A princípio parece estranho, algo artificial entre a relação de pessoas, parece que fica tudo sintético, perde-se um pouco do magnético de olho no olho, pele na pele.

Porém, foram maneiras que arrumamos para ter proteção.

Proteger do quê? De quem? Pra quê?De viver intensamente? De doenças? De profundidade?

Não! Proteger nossa intimidade, nossa posteridade, nossas necessidades e reais vontades.

Como assim? Isso nos deixa mais individualistas, menos colaborativos, voltados ao próprio umbigo.

Será mesmo? Vamos pensar. O sexo e a interação social são instintos da nossa base de sobrevivência. Através deles nos sentimos mais potentes e participativos. Na era dos sem camisinhas e sem celulares as pessoas não eram mais ou menos fra_ternas. Eram seres humanos como agora, como eu e você, procurando nos descobrir entre erros e acertos.

E para nos descobrir precisamos nos cobrir?

Talvez! Nos sentimentos confortáveis na barriga da mãe amorosa, entre as cobertas no inverno, debaixo do guarda-chuva durante a tempestade. Se estamos usufruindo das criações “mundanas” é porque nela encontramos interações.

Sabe daquelas garotas que viviam na biblioteca quando criança? Pois é, eu era uma. Não só por aquele papo de viajar e me libertar pela cultura. Era o espaço de silêncio e solidão que me presenteava. Às vezes encontrava livros maravilhosos, às vezes era o tédio da procura, às vezes queria alguém ali para me direcionar naquele mar de tudo e de nada.

Assim foi com a camisinha, assim está sendo com o celular. Não acho que eles nos distanciam, mas, que ficam ali toda hora sinalizando de nossa responsabilidade que desde o princípio das cavernas se resume:

“ser ou não ser, eis a questão.”


Essa autorreflexão surgiu ao pensar no uso das tecnologias, é fato que a minha geração se incomoda com o intenso uso de celular, como se incomodou quando a Aids apareceu. Eu mesma fiquei anos e anos longe das mídias sociais e agora passo meus dias estudando tecnologias para buscar boas experiências. Ironias do destino… O que mudou tanto? Oras bolas, o tempo. Ele passa, querendo ou não, acompanhado ou não. Ele voa. Minhas barreiras com a tecnologia começaram quebrar quando tive acesso às ideais de profissionais como Martha Medeiros e Walter Longo. Fico feliz, pois, com isso, tive a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas por aqui e expor meus pensamentos. Os frutos da gravidez online só o futuro dirá.


8 thoughts on “Gravidez online

  1. O improvável senta-se à esquerda ou à sinistraa de mim. O impossível deixa -se cair no mesmo banco do parque, à direita ou à destra. Bem à frente, ou eu muito me engano, ou o horizonte parece diminuir a cada sístole e diástole que arfo. Alguém mastiga um lanche, com smartfone colado no tímpano, no martelo, na bigorna e no estribo, ou seja, o mundo mais fala do que ouve. Quanto aos nove meses, não há e nem haverá o que temer, que o Homem cria e destrói mitos, empecilhos, dúvidas, muito embora sequelas pesadas sempre fiquem. Exemplos há de sobra através de milênios, muito mais nas últimas décadas, por exemplo, as da miniaturização. Apenas um exemplo, lembrete.

    Reitero aqui a beleza e a praticidade de sua Página.
    Um abraço.

    Darlan M Cunha

  2. Você sempre surpreende… esses dias ouvi que a arte de escutar é tão complexa e exigi tanto quanto estudar um novo idioma… Mas, acho que estavam falando da escuta recíproca e ativa, onde se demanda mais do que o sentido auditivo, pois, como você mesmo disse o smartphone está até na bigorna, risos. A humanização pode ser feita com ou sem aparelhos, está na atitude.

    P.S. seus comentários agregam.

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