Depressão com Poesia

Invisibilidades

Mais um dia, o corpo sem força e a vida chamando, deito para dormir o sono não vêem,  sinto dores no corpo todo, elas caminham sobre mim.

Tento desligar e descansar, por fora do quarto o silêncio, por dentro de mim a turbulência da alma. Escuto o coração bater forte, a respiração está difícil, percebo tremores internos, suor excessivo, os músculos pesam, especialmente os dos ombros; conheço meu corpo por dentro agora.

Tudo é lindo quando não percebemos as dores e consegue executar nossas atividades diárias sem esforços.  É tão natural que nem damos conta disso!

Mas quando se entra na “cova” nada tem sentido, são só sensibilidades. Lá luto contra e a favor do corpo e dos sentimentos. Preciso ficar sozinha, não sei até quando.

Atividades são aconselhadas: hobbies, esportes, bate-papo, viagens, etc. Mas, nada tem significado, sentido. “Como queria que tivessem.” Acho tudo ilusão e alienação.

Respeito e responsabilidade pelo próximo ainda me sustentam aqui, não sei até quando… Ler e escrever têm sido bom caminho. Não sei aonde ele vai dar.

Acredito que tais dúvidas são pertinentes para interagir com o quem sou eu… Difícil é aceitar que nem para tudo têm respostas.

Alguns religiosos diriam que estou possuída, terapeutas que é complexo familiar, familiares que é frescura, conhecidos que é falta do ter o que fazer.

Muitas fórmulas são dadas, todas as bolachas do pacote são iguais, mas cada ser humano tem a sua digital.

O olhar do outro por mim é de pena, desconfiança e/ou, indiferença. Não os culpo, também sei que falta brilho no meu olhar. São as invisibilidades!

Em fato, penso que a maioria só quer estar do lado dos fortes, me acham dramática e ingrata, afinal tenho tudo na vida não é?

Assim, resolveram me colocar no cantinho da invisibilidade. Agora eu sei como se sentem os deficientes, os loucos, os idosos, os prisioneiros. Estou na pele da exclusão gerada por mim e nutrida pela sociedade. As tais invisibilidades.

Por fim, sei que aqui na cova a linguagem é outra, aprenderei a conversar.

Agora vou escutar o que os passarinhos tem a me dizer. Ainda bem que o céu está azul hoje.

 

11 thoughts on “Invisibilidades

  1. Eu não tenho noção de quão difícil e dolorida é a depressão, mas sei que não é frescura , nem falta do que fazer. Estou lendo um livro chamado O Demônio do meio-dia, o autor sofre de depressão e faz relatos profundos e impressionante. Você é uma mulher inteligente e forte, vai conseguir administrar tudo isso, e continuar escrevendo coisas belas.

  2. Agradeço o carinho dessa mensagem. Também estou lendo esse livro, impressionante como o autor descreve desde as experiências místicas (sonhei com a parte da imolação😂) quanto da área científica da doença. Mas o que mais me chamou o interesse foram os depoimentos…dói, dói, mas há tratamento. Abraços.

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