Depressão com Poesia

Entre profecias e poesias

A palavra e seu poder de persuasão
Pode encantar, pode derrubar,
Entre profetas e poetas
Há de tudo um pouco
De bom e de lixo/

Cada um absorve o que dá
O que lhe é permito os sentidos
Enquanto isso, muito se é dito
Funil turbilhão de energia
Nos põe à prova nas profecias
Nos põe à mostra na poesia/

Por fim fica o pó
Nos livros, na rede virtual,
O pó da pele e dos desejos.
Assim quem teve a graça
De ter sua voz propagada, um ser quase imortal,
Também teve a fé e a desgraça
Em sua vida fadada a ser terminal/

Sentou no portão da calçada
Olhou para o universo sem fim
Orou, duvidou e se perguntou
Por que tudo isso em mim?

Não sou poeta, não sou profeta
Sou cheia de dar opinião
De tudo o que eu não sei
E de algumas palavras que aprendi/

O tempo contemporâneo é estranho
Por isso sempre olho para trás Sempre atrás
Peça de antiquário, de sebo,
E de tudo o que cai no esquecimento/

De frente só vejo vaidade
No espelho do banheiro
Nos encontros semanais
Nas palavras dos livros e das bocas
Como viramos sociais/

Por fim cá estamos como escritos
Usados, lacrados, em gritos
Esperando ser ouvidos

Perdidos nas prateleiras
Desejando algo, ou, alguém
Nos encontrar/

Ainda que seja nós mesmos.

* Pintura

Título: O Poeta Pobre / Ano: 1839 / criador: Carl Spitzweg / Local: Munique / Meio: óleo sobre tela / Tamanho: 14 1/2 × 17 3/4

9 thoughts on “Entre profecias e poesias

  1. Obrigada😀 iria começar pelo quadro que desde quando vi ficou na minha cabeça, mas quando lembrei desse verso, tudo mudou.😘🙋🏽‍♀️

  2. Nesta você se superou…não será o profeta a anunciar ou denunciar apenas mais um poeta que ‘grita’ sem ser ouvido? Ocorre o mesmo com os filósofos… que o diga Nietzsche…ou Foucault…quiça diria-nos Sócrates…mas, quem ouve os profetas e poetas? Belo domingo.

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