Depressão com Poesia

A vibrAção

Às vezes subestimados o poder sonoro. O tom voz, a forma como o ritmo e a vibração sonora nos afetam como faca ou como fada.

Nessa pequena cidade de cinco mil habitantes é permitido os carros de som para a propaganda comercial. Vende churros, liquida roupas, divulga o show na praça…

Na reunião familiar a disputa é de quem fala mais alto, como se assim fossem melhor ouvidos.

A igreja dita a oração todos os dias às seis da tarde pelos autofalantes.

Casa sim, casa não, ouve-se a preferência musical dos habitantes. Desde sertanejo, até funk e cultos.

Nos lares, nos carros, nos bares, som, som, som nos seus altos tons.

Tudo seria o ritmo da vida, se também fosse respeitado as sensibilidades auditivas. Se houvesse reflexão sobre essa questão:

O que acontece quando o som pertuba?

Quando atrapalha o descanso da sesta, a recuperação física ou mental de uma doença, o sono do recém-nascido, e/ou até mesmo quem aprecia o valor do silêncio

Sou uma dessas, por isso mesmo me questiono o porquê das pessoas terem tanta dificuldade de ficar sós e quietas. De quererem impôr seus gostos e opiniões ainda que o outro não se compraza em ouvir.

Uso as letras para catarse. Fico irritada quando uma leitura ou reflexão é atrapalhada. Esse é o meu grito.

Aliás, o grito é algo que entra tão estridente em mim, muda as estruturas da minha energia…

Hoje estou aprendendo lidar melhor com isso, tanto com o descompasso quanto com a euforia alheia. Observo que o mundo está cada vez mais visual e barulhento.

Não estou aqui para defender o certo e o errado. Mas, para chamar a atenção para as necessidades alheias.

Há pessoas que precisam fechar os olhos e imaginar, fechar os olhos escutar a voz da intuição…

Fico pensando se o silêncio também agride. Com certeza sim, especialmente o silêncio melancólico. Os tapas ocultos doem mais.

No fundo, o certo e o errado fazem parte da verdade absoluta que não existe.

O que existe é a boa vontade de conviver no consigo e contigo.

Eis a vibrAção que atinge como faca ou como fada.



e-books por Cristileine Leão

Um tempo, o tempo, há tempo

Por motivo de “férias maiores” não estarei postando todos os dias nesse espaço, como venho fazendo desde 2017.

Por agora, tenho muita convivência e contemplação para dar conta do recado…

Como esse blogue é um lugar de imensa importância na minha vida, resolvi dar esse esclarecimento para vocês. Saibam que não é por motivo de desistência e nem desânimo.

Simplismente vou aproveitar essas férias no colo de minha mãe, nesse calor e céu azul tão brasileiro.

Também vou refletir nos rumos da vida e, já sei, vou sentir falta da cotidiana interação com vocês.

Garanto publicar toda segunda, quarta e sábado às 20 horas agora em Julho.

Depois, oras depois, direi como falo aos meus filhos quando preciso de um tempo para pensar na resposta:

“amanhã a gente vê o que faz amanhã”.

Isso aplaca a ansiedade deles e as minhas indecisões…

Enquanto isso, convido vocês para fuçar, revirar, especular, examinar, esse blogue através das funções PEQUISAR, ARQUIVO ou do MENU que está dividido nas categorias:

  • Poesias e Prosas.
  • Em Pauta – reportagens – sobre depressão, saúde mental e sentimentos.
  • Depoimentos – sobre depressão.
  • Opinião e Críticas – temas gerais.

Além do controle

Três fatores estão além do nosso controle, apesar de termos a sensação de dominá-los: o tempo, as circunstâncias e os outros.

Quando eu tiver isso, eu vou fazer aquilo.

Se minha vó não tivesse morrido, ela estava viva.

Eu sei que ele vai parar com isso.

Seguimos nas ilusões da mente que mente. E, na maioria das vezes, nos deixamos enganar.

Olhando para o espelho e esperando a resposta que somos os mais bonitos do mundo. Nem que para isso seja necessário tirar o coração de alguém.

Espelho, espelho meu, existe alguém mais conformado que eu?

Assim vamos, achando que dominamos o tempo, as circunstâncias e os outros. Sem conseguir olhar na lagoa.



e-books por Cristileine Leão

Ancorar

“Eu tenho pele branca, nasci em um país rico, tenho o passaporte certo, pude frequentar três universidades e me formei aos 23 anos”.

“Sinto uma obrigação moral de ajudar as pessoas que não tiveram as mesmas bases que eu.”

Essa foi a justificativa de uma capitã alemã que atracou um navio com refugiados num porto italiano.

Agora, é claro, ela está respondendo legalmente por isso. Carola Rackete está sendo vista por uns como heróina e por outros como criminosa.

Mais do que a coragem, quero destacar nessa moça um valor que só anda em destaque no muito bibibi dos bites e dos bytes, mas que na prática vem se atrofiando: a empatia.

Isso mesmo, se colocar no lugar do outro, e mais do que isso, agir além de si, além dos próprios interesses e conveniências.

O que será dessa capitã eu não sei, mas a mensagem é clara. Chega uma hora que precisamos ancorar nosso navio. Doa à quem doer. Ainda que esse alguém seja nós mesmos.

Tempoterapia

O passado nos trouxe até aqui. Em contrapartida, não consegue nos levar até lá.

Dizem que a depressão é o excesso de passado e a ansiedade o excesso de futuro.

Fico me perguntando o porquê da nossa dificuldade de estar no aqui e agora.

Pode ser uma questão que a banda “Egotrip” cantava nos meados de 80, no cassino do Chacrinha, através da música “Viagem ao fundo do ego” :

Coragem para encarar

Frente a frente eu comigo

Como se enfrenta um irmão no exército inimigo