Depressão com Poesia

Cartas na garrafa

Cartas na garrafa

Lançadas no mar

Protegidas pelo tempo

Que tudo traduz

Papéis atemporais

Diante das flutuações e temporais

Segredos do universo

Impressões ancestrais

Ainda que a mordaça

Te faça interina

A contração do útero diz

Dê a luz

Mulher.


08 de março de 2020
À quem receber essa missiva, saiba que eu estou viva, muitas outras Marias e Marieles não.
Passados tantos anos ainda lutamos por igualdade de salários, reconhecimento e expressão. O corpo e as fragilidades, tão belos, são usados como instrumentos de opressão, poder e exibição.
Por outro lado, percebo que a história, a oratória, a religião, a política, nada disso conseguiu impedir a concepção do ser mulher. Elas crescem, e quando desaparecem, brotam mais… Cada vez mais e mais se afirmam em homens e mulheres as habilidades da ânima.
Um ânimo para a mãe Terra que tanto precisa de quem acolha e coopere, de quem persista mesmo nesse tempo de esterelidade extremidades. Espero que quando leia essa, tais fatos sejam lembranças do passado e que o equilíbrio almejado estejam nos noticiários de vez. Fique em paz com o presente! À ti futuro amig@Cristileine Leão.


 

19 thoughts on “Cartas na garrafa

  1. Sua missiva apesar da patrulha que anda solta por estas bandas chegou ao Brasil, no Estado de Minas Gerais, que não tem mar… Algum pombo correio, trouxe-a até as serras mineiras… Tive o prazer de lê-la, mas, não ainda não tenho o prazer de dizer que as coisas já tenham se resolvido… As mulheres continuam a enviar missivas que não são lidas e quando lidas são rasgadas…

  2. Hei Estevam! Continuarei a escrever, contando com o mar, com os pombos e com os amigos mineiros… Contando que um dia as cartas e os sutiãs rasgados estejam só nos livros de história…
    Boa semana.

  3. Oi, Cris!
    Paz e bem!
    Maravilha de recado. Não importa onde não tem mar, o importante é que você abre sempre a garrafa. Você é um exemplo da Mulher da atualidade, com um passo a frente, mostrando em suas missivas engarafadas, blogadas seu diário de Mulher Gurreira!
    Eu aprecio, confio e saúdo!
    Beijinhos carinhosos.
    🌹💋💋💋💋

  4. Hoje é uma celebração para homenagear todas as mulheres que não podem ser abraçadas. Seus versos, muito sentidos, deixam claro. E você teria que enviar milhares de garrafas.
    Gostei do seu poema.
    Saudações
    Manuel

  5. Olá Cris. Esta dos sutiãs rasgados ainda vai demorar, infelizmente… Já as cartas em breve serão só história mesmo… Também, infelizmente. Paz e Bem!

  6. Oi, Rita!
    Essa sua presença é um presente, não só por suas palavras de apoio, como também por sentir boa conexão. Saiba que essa parte
    “O corpo e as fragilidades…usados como instrumentos de opressão, poder…” foi inspirada no vídeo que você me enviou.
    Seguimos com nossa voz em textos e ações. Abraços cristalinos 😘

  7. Manuel! es tan bueno llamarte por tu nombre! Agradecimiento por tus palabras y por acompañarme. Abrazos y que tengan una semana de paz🙋🏽‍♀️

  8. Estevam, quis fazer uma referência às manifestações de 68, mas bem sei que antes e depois desse marco, muitas mulheres continuam “marcadas”. Ainda assim caminhamos “com passo de formigas”. Paz e bem “procê” também.

  9. Para mí es un gran placer leerte Cristileine. Tienes una poesía enigmática y tus versos destilan puro sentimiento. Un abrazo con todo mi cariño y aprecio. Manuel

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