Depressão com Poesia

Beijo n’alma

Eu estava na beira desse rio, quando se aproximou uma garota com síndrome de down, tocou nos meus ombros e perguntou (em alemão):

A gente se conhece?

Eu não entendi nada (tanto pelo vago conhecimento da língua, quanto pela abordagem que não é comum aqui).

Mas, impulsivamente respondi Ja (sim).

Ela me beijou no rosto e disse “eu já sabia”.

Tanto a minha família quanto a dela ficaram desconcertadas com a cena mágica.

Naquele momento não precisava de nenhuma palavra!

Na beira do rio rimos

À margem da sociedade

Que domina e denomina

Estrangeiros e deficientes

Viva a poesia

Dos que vivem à beira

E dos que brilham

Com o beijo n’alma.


Não tenha receio em usar a palavra DEFICIÊNCIA. As deficiências são reais e não há por que disfarçá-las.

Fonte: Movimento Down

16 thoughts on “Beijo n’alma

  1. Uma vez eu estava conversando com um conhecido fisioterapeuta e eu não sabia se o “certo” era “especiais”, “com deficiência” ou “deficiente”. E ele respondeu como você, mas disse que usa mais o ter com deficiência. Ficou lindo seu poema!

  2. Vi a chamada no insta e corri para cá para ler… Bacana a chamada, humano o beijo, divino as almas sua e da garota…

  3. Mas que profundidade, hem. Fiquei encantada. (Você pediu para eu expor- sem melindres- quando houver alguns detalhes no que você escrever, vou fazê-lo, ok. Esse texto é lindo por demais. Assim: Tanto a minha família quanto a dela ficaram ”desconcertadas…”; ”Naquele momento não precisava de nenhuma ”palavra”; ”À margem da sociedade que domina e ”denominada”- e denomina, talvez.
    Pensei em te avisar porque são erros tolos, de digitação talvez, em um texto tão lindo. Beijo.

  4. Cris, vc me surpreende a cada texto. Nao tenho esse dom mas tenho a dádiva de te conhecer e poder te chamar de amiga! Me arrepiei aqui… a vida é muito mais do podemos ver, saber e entender e esse seu momento é um dos que nos mostram isso. Muito lindo!

  5. Bom dia Odonir, fique à vontade mesmo, você me ajuda com atitudes assim. Minha formação primária e fundamental foram precárias; durante a faculdade e até hoje tenho os reflexos disso. No começo isso me impedia de escrever, hoje não. Agradeço por esse carinho e cuidado de ler, comentar, aprimorar e principalmente sentir meus textos. Fique em paz, abraços, Cris.

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