Depressão com Poesia

A perda do olfato

O olfato é o nosso sentido mais primitivo, é sabido que as pessoas que contraem o Coronavirus ficam com o olfato temporariamente afetado.

Quando não sentimos o cheiro, tudo fica diferente, o gosto da comida não é o mesmo, as flores não despertam emoções, os feromônios não atraem.

Sortudos os humanos que têm memórias olfativas, o pão assado da vovó; o jasmim no jardim, a chuva na terra, a grama cortada; a essência da pessoa amada, o cheirinho do bebê.

Curiosamente um vírus vêm atacar nossa essência, nosso eu primitivo, o olfato, os meios de subsistência, a vida dos entes queridos. Mais do que pedir prudência, ele nos mostra o que não está cheirando bem por aqui.

Para nossa proteção, temos que ficar em casa, afinal todo trabalho de âmbito coletivo começa primeiro no ti cuidar.

Sócrates disse: “Conhece-te a ti mesmo” e por isso foi condenado à morte bebendo cicuta. Jesus disse: “ame o próximo como a ti mesmo”, e foi crucificado.

Se temos dificuldades com as profundidades do ser, de nos encarar no espelho da alma e principalmente de nos amar (com nossas falhas e fortalezas) além do ego. Como iremos amar e compreender que o próximo é uma extensão de nós mesmos (com suas falhas e fortalezas) ?

A multidão condena a si mesma à ficar no feDOR. Até quando? Pra quê? Por que?

Isso é fácil responder, estamos aprendendo a viver. A evolução está na ponta do nariz para todos os que querem aprender respirar e sentir o bálsamo além da matéria.

A mudança começa no eu e se espalha no vento e no tempo mais do que o vírus, porque a mudança é para todo o sempre, o vírus é temporário, virará um marco histórico, já as nossas atitudes penetram de geração em geração.

Hoje sou tudo o que meus ancestrais passaram para eu estar aqui, quando eu mirrar serei o nada em todos.

O invisível toca as nossas narinas, a nós nos cabe saber onde colocarmos o nosso nariz. Na fé ou na dor…

Onde há fumaça, há fogo.

Onde está o ti?

Inteligência emocional, Daniel Goleman, página 24.

14 thoughts on “A perda do olfato

  1. Para aqueles de nós que ainda não perdemos o olfato, estamos uma incerteza cada vez mais acentuada por não sabermos o que pode acontecer amanhã quando sairmos na rua e não pudermos “cheirar” quem pode nos infectar. Esperamos apenas que o bom senso sempre nos acompanhe a aceitar esse novo modo de vida.
    Seu poema é um reflexo dessa situação. Gostei de ler e isso me fez refletir.
    Um grande abraço
    Manuel

  2. E eu que tinha pensado apenas no toque e na falta de sorrisos… também poderemos ter nosso olfato impactado. E, sim, agora devemos olhar para nós mesmos. Só assim poderemos melhorar o mundo.

  3. Adorei a reflexão sobre o olfato. De fato, quando estamos resfriados e não sentimos o cheiro, também não sentimos o gosto. Muito curioso isso, né? E também é curioso como uma lembrança muito antiga e esquecida pode ser recuperada através de um cheiro… Agora precisamos usar todos os nossos sentidos e nosso intelecto para nos fortalecer e tomar as decisões necessárias para nossa sobrevivência e a de outros.

  4. Entre conversa e flores, gostei do nome do seu blogue, vou lá conhecer. Obrigada Nicole por seu parecer, de certo podemos melhorar o mundo com nossas atitudes diárias.

  5. sabe, Cris. de alguma maneira o câncer me preparou para o vírus. depois da cirurgia fiquei 40 dias confinado, saia apenas para revisão médica, colocação de cateter. depois, veio a quimioterapia e com ela os efeitos colaterais. entre eles, a perda do olfato, da sensibilidade das mãos (continuo), cansaço extremo, etc. hoje, confinado, o que quebra a regra é que tenho de volta o olfato. gostei muito da tua poesia, nos situa nos dias de hoje e suas consequências diretas, que nos afetam o cotidiano. é o momento, talvez o último, em que possamos pensar e agir pensando no coletivo. cuide-se, por favor. o meu abraço.

  6. Fernando, é sabido que quando se luta com o corpo, se luta também com um turbilhão de pensamentos e sentimentos. Te admiro que em meio a isso tudo ainda reserva tempo e espaço para mostrar seu olhar pra humanidade com suas fotos, textos, músicas. Saiba que que me alimento dessa sua perspetiva e é agregante te acompanhar.
    Estamos nos cuidando por aqui, às vezes o coração aperta por falta de perspetivas a curto prazo, então, é hora de procurar os tais bons alimentos para a alma (textos, retratos, fatos, vídeos, estudos, bate papos) que nos elevam. Assim pouco a pouco a fonte vai limpando…
    Hoje fez um dia lindo por aqui, se o sol nasceu é pra nos dizer: vai lá é a sua vez.
    Tenha um ótimo fim de semana, abraços e até mais, Cris.

Diga-me a sua opinião?

%d blogueiros gostam disto: