Cabeça de Medusa

“Cabeça de Medusa”, de Caravaggio, uma das mais impressionantes pinturas que eu já vi, isso foi há mais de 7 anos atrás. A foto não retrata o realismo desse rosto que até agora fala comigo.

Na mitologia Medusa era uma mulher bela que foi transformada em um monstro com cobras no lugar dos cabelos e um olhar que petrificava quem lhe encarava.
Medusa foi decapitada pelo herói Perseu que ao invés de olhá-la fez com que ela visse o próprio reflexo no escudo em que ele carregava. Aproveitando do horror e do torpor de Medusa, Perseu cortou-lhe a cabeça, a qual foi usada por ele como distintivo protetor. O que seria de Perseu sem esse amuleto? Tudo isso aconteceu porque Atena, a deusa da sabedoria, ficou enfurecida que sua até então sacerdotisa Medusa deitou-se com Poseidon, deus dos mares, seu rival político.

Guardiã, protetora, sabedoria feminina” é o significado do nome Medusa. Contradição? Não!
Todo monstro um dia foi belo e quis ser amado. Todo monstro jorra veneno mortal e elixir.

Os homens já queimaram bruxas e livros, hoje estão com os olhares petrificados diante de tanta crueldade e clamam por sabedoria.

Mas qual sabedoria? A da inteligência que pune em nome de uma verdade unilateral, ou, a do acolhimento que agrega a criação e é universal?

Notem que Atena ficou conhecida por ser a deusa da sabedoria, da inteligência, das artes, da guerra e da justiça. Álias, até hoje na Grécia existe uma cidade com o seu nome, desde a batalha com Poseidon.

Mas, é de Medusa que saiu a sabedoria feminina, essa mesma personagem que foi metade da vida mulher, na outra metade monstro e se eternizou como guardiã.

Como explicar essa Freud? Você que nos trouxe o conhecimento do inconsciente, poderia dizer mais para a gente sobre a sua teoria? Se as mulheres sentem a “inveja do pênis”, o que sentem os homens sobre o nosso útero, gestação, parto, seios e amamentação?

Medusa não foi mãe, mas deixou muitos órfãos quando lhe tiraram o amor.

Independente de nossos órgãos ‘geniais’, na alma todos somos iguais e buscamos por unificação.

Todos nós temos sombra e luz. Todos, todos, desde os mais moralistas até aqueles que estão próximos da transcendência (transparência).


O que nos diferencia é onde colocamos o olhar.


Deixo abaixo um pequeno texto para contextualizar a mitologia desse texto. Quanto a parte da psicologia, teoria da inveja do pênis de Freud, pode ser pesquisada na internet, não é o foco principal do texto. Agora segue o verso derradeiro:

Grita o Medo da Musa
Corte a cabeça de Medusa
do escuro para o escudo
a deusa guarneceu


2 comentários

  1. Quando estudei psicologia, aprendi que muito mais que o pênis, o ‘ falo’, como desejo de poder é que de fato desperta esta suposta inveja… Coisas do mundo masculino, limitado, mas, milenarmente, autoendeusado…

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  2. O masculino e o feminino serão assuntos cada vez mais debatidos, até aprendermos integrar as diferenças que há em nós… Quando fui pesquisar para escrever esse texto quase que usei a palavra falo, até soava mais bonita no texto, mas aí descobri que a original na teoria é pênis mesmo. Na realidade todos temos desejo de poder, homens e mulheres, o que muda são os meios (competição, cooperação, ganha ganha, ganha perde) e suas variantes.

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