O órfão

“O medo faz órfãos”

“O que mais se rejeita é o que mais se precisa”

Revendo minhas anotações reflexivas me deparei com essas de outubro de dois anos atrás tiradas das cartas do livro guia de arquétipos. Perguntei-me o porquê elas me chamaram tanto a atenção anos depois.

Talvez porque uma conhecida adotou uma criança de uns sete anos recentemente. Percebi o quanto todos da família dela reviveram, voltando a brincar, sorrir, sonhar, amar através desse menino.

Lembrei de quando trabalhava e fiz uma reportagem relatando o tanto quanto o processo de adoção é complexo e longo, passando por juizado, terapeutas e demais profissionais. Geralmente adotam mais bebês, mas, esse casal decidiu por uma criança que já conhece bem sua história e dores. Imaginei quantas possibilidades esse garoto terá: família, estudos, lazer, etc.

Lembrei que quando criança um dos meus maiores medos era de ser adotada, não pelo fato em si, mas por vir outra família e querer me tirar dali do colo dos meus pais. Imagina quem nunca teve um colo para se aquecer e esquecer das dores do mundo?

Daí recordei da complexidade dos sistemas familiares, a adoção não é um simples ato de caridade, responsabilidade e afetividade; a adoção é a inclusão de outra história e vivência na sua vida. Pode ser complexo? Sim, como pode ser nos laços consanguíneos. E de quem não?

Só então me dei por conta do real sentido daquelas mensagens saltarem nos meus olhos. Não tinham nada haver com o menino e nem com minhas opiniões sobre adoção. Falavam que entre as ações e as inações está a doação. O doar-se!

Também vieram falar que podemos ter mais de 40 anos que se não nos sentirmos acolhidos seremos órfãos dos medos que nossa criança cultiva na cabeça (que nem sempre são reais). O mundo está cheio de órfãos adultos e com lares.

Por fim, diziam que nossa a rejeição é o maior revelação de nossas dores, onde está nossa rejeição está também a nossa cura. Como assim?

Quando assumimos o que rejeitamos como parte de nós – do que precisamos para crescer – adotamos uma postura de mudança e a resposta da vida é abundância. Assim nasce a fé brilha.

Qual o mais profundo presente que você pode dar para a humanidade?


Para quem ficou curioso para ver a carta dos arquétipos aqui vai

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