Morrer e viver

Morre
Quem não sabe ressuscitar
Das mazelas cotidianas
Com o terceiro olho
Vislumbrou
O que não podia ser visto
Sentido foi
Os sentidos
De cada espinho
Na testa
O que atesta
“Pai, perdoe, eles não sabem o que fazem”
Gritam mais: Dê-nos Barrabás!
Aí está ele nas barbaridades modernas


O que seria da criação sem o perdão?
O que seria da criança sem o afeto?
O que seria do feto sem o ventre?
E o que seria do crente sem a fé?

Morre
Quem não sabe viver
O solstício de inverno
Quando a noite é maior do que o dia
Quem não sabe ser
Solícito mesmo no inferno
Quando o dia nos trespassa em agonias
Quem não sabe ver
Além dos olhos


Chegou sua hora
O pra sempre é o agora
Viva.


Poema inspirado na leitura dos capítulos 27 e 28 de Mateus da Bíblia.


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