Eu faço parte

“Ich bin dabei”, eu faço parte, foi um treinamento que participei nesse final de semana sobre as mulheres estrangeiras e o mercado de trabalho na Alemanha.

O evento foi promovido gratuitamente pela Carlotas Mulheres, uma organização internacional que promove a empatia, a valorização e a autonomia feminina.

Esta postagem é minha maneira de expressar gratidão por essa oportunidade.

“Ich bin dabei”  explanou sobre como o domínio do idioma é importante para a integração social, segurança emocional e recolocação profissional aqui ou em qualquer lugar do mundo.

A comunicação precisa ser efetiva porque afeta diretamente o humor e a autoestima de quem está em constantes recomeços diários, internos e externos.

Internos porque a pessoa deixou uma história, paladares, olhares, vivências para trás. Externos porque a rotina cultural e estrutural do país novo é sem tempo para principiantes, segue seu ritmo com seus códigos e demandas.

No caso da Alemanha, por exemplo, foi destacado a importância de seguir as regras, a pontualidade, o foco nas competências, se informar antes de reclamar, ser direto, claro, objetivo, individualista.

O caminho para o desenvolvimento pessoal em terras germânicas é longo e precisa de persistência. O primeiro passo é entender a cultura com seus hábitos e idioma; depois conhecer as estruturas de trabalho e educação local; daí buscar inclusão social, para só então ter a segurança emocional do pertencimento.

Em paralelo, para as mulheres há ainda outros tipos de requisições como a administração da casa, a educação dos filhos e a manutenção do corpo belo.

O workshop nos apresentou vivências baseadas na PNL – Programação Neurolinguística; estatísticas e referências bibliográficas sobre a imigração e adaptação no exterior; sites e tefelones de informações e emergências, e, principalmente nos explicou da realidade do mercado de trabalho alemão.

As participantes eram de diversas faixas etárias, áreas do conhecimento, com ou sem experiência profissional. Além de eu descobrir que preciso de flexibilidade para mudar de área de atuação, afinal a Alemanha não procura por poetas e nem comunicadores em português, hehe, tive o contato com uma nova palavra que define bem tudo isso: Streitkultur.


Streitkultur = cultura da disputa

Parece um termo pejorativo mas não é, para eles tudo tem que ser debatido, esmiuçado, confrontado, visto, revisto, ter atritos e ponderações, expôr todos os lados exaustivamente, para só então virar uma regra/lei estabelecida.

A grande diferença desse debate democrático é que aqui na maiora das vezes não levam para o lado pessoal, pois, sabem que estão discutindo sobre um bem maior do que os próprios interesses.

Quando é determinada uma regra, fica  bem difícil mudar porque já foi amplamente debatida e acordada. Por isso que os sindicatos aqui são tão fortes; por isso que é permitido entrar nos trens livrimente sem cancelas ou cobradores, partem do pressuposto da confiança e do conhecimento das regras pelos usuários, que serão penalizados diante de um “eu não sabia”.

Por esses e outros aspectos culturais, agora entendo porque flexibilidade, criatividade e espontaneidade são características mais brasileiras, porque daqui surgiram grandes filósofos, tecnologias de ponta e da atual estabilidade econômica.


De Carlotas Mulheres recebi a mensagem de que tudo passa pela comunicação, respeito e acolhimento das diferenças.

Assim, se hoje eu faço parte daqui (Ich bin dabei) tenho o desafio e a chance e de ver com outros olhos (ver com os olhos do outro) tudo o que a vida me propõe.

 

7 comentários

  1. Dominar o idioma é importante pelos motivos citados, mas é desesperante (falo por mim) saber que há tantas novas palavras que não conhecemos, e as ouvimos. Se incluir as expressões, então o desespero é maior.
    Isso até me fez pensar que se um dia voltasse ao meu país, eu iria ajudar estrangeiros com o português, que tb não é fácil, sem falar das expressões, das palavras utilizadas em diferentes regiões.

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  2. Que boa ideia! As mentoras do curso explicaram que nossa insegurança com a comunicação é porque a linguagem está ligada com o grau de instrução e conhecimento. Logo se falamos errado, supomos que vão nos julgar. Mas que é só mais um entre tantos bloqueios e crenças que precisamos quebrar… Acredito que você leu em outros posts que quando cheguei aqui tive que dar um up no inglês por causa da escola dos filhos. Só depois fui para o alemão que ainda é básico. Hoje com a consciência que tenho já ia direto para a língua local. Com tudo voltando ao ‘normal’ me rematriculei no intensivo. Fiquei imaginando você quando ia para o curso de bike, espero que já esteja bem integrada por aí. Abraços🙋🏽‍♀️

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  3. Muito interessante seu post e suas experiências. Apenas, fiquei com uma dúvida: indicam para ser individualista ou manter a individualidade?

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  4. Sim, estou mais integrada. O holandês tb não é fácil. Claro, que o alemão supera. rsrsrs
    Concordo com a observação das mentoras do seu curso.
    Qto ao mercado de trabalho para uma mulher estrangeira não é bom criar altas expectativas. Para seguir uma carreira a nível superior só fazendo outro curso superior, ou pedir reconhecimento e completar fazendo as disciplinas para se obter uma possível equivalência. Outra possibilidade é criar um empreendimento. De resto sobra possibilidades a nível de curso secundário.
    Abraços.

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  5. Você fez um bom resumo do que foi abordado, pode trabalhar de mentora já. Risos. Não esqueço da comparação que você fez anos atrás sobre o time de futebol e a dona de casa… Bom saber sua opinião. Até +

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  6. Não há indicação explícita, mas a prática da privacidade é bem definida e percebida. Tudo vêm de valores históricos e culturais, das experiências com as guerras, fome, mortes, reconstruções. Sempre existem os que são individualistas e os que mantém a individualidade. Eles tem outra forma de pensar sobre os relacionamentos, são mais distantes e seletivos, porém intensos. Com isso não quero generalizar, pois, também acho desagradável quando falo que sou brasileira e vêm me falar de samba, futebol ou jeitinho.

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