Brasil, país do futuro. Será?

“Brasil, país do futuro”, quem firmou essa alcunha na história brasileira foi o escritor austríaco Stefan Sweig com o livro de mesmo nome.

Stefan Sweig (1881-1942) era um judeu que encontrou exílio em Petrópolis, Rio de Janeiro, na época do nazismo. Ele foi um dos escritores mais reconhecidos em sua época e até recentemente suas histórias são recontadas como no belo filme “O Grande Hotel Budapeste” e “Stefan Sweig – Adeus Europa”.

Homem culto, bem relacionado e com a vida estável, Sweig teve que fugir de seu país e encontrou abrigo no Brasil, com sua natureza exuberante, sol constante, terra produtiva, pessoas amigáveis. Ele e sua esposa Lotte sentiam-se no paraíso, seguros, circundados de beleza, carisma do povo e a fama que continuava a lhe acompanhar.

Nada disso foi impedimento para ambos se suicidarem no verão de 1942, na mesma casa que hoje é um museu em suas memórias lá em Petrópolis, lugar onde ainda quero visitar.

Stefan Sweig ficou deprimido desde que teve que deixar sua terra, seus sonhos e ideais. Viu sua cultura massacrada e seu povo diminuido pela barbárie nazista com toda sua opressão e desprezo pela humanidade.

Tais fatos evidenciam que não há paraíso que iluda o exílio da alma.

Mas o que essa história toda tem haver com “Brasil, país do futuro”?

Nada e tudo…

Nada porque o futuro sempre será um lugar distante que quando chegamos lá, ou ele, ou nós já estamos perdidos, ou, não somos mais os mesmos.

Tudo porque a desesperança que esse escritor austríaco viveu é a mesma que muitos brasileiros estão vivendo agora… Enquanto Áustria, Alemanha e muitos outros países acometidos pela guerra e destruição, hoje são potências cheios de possibilidades. Expondo como o mundo é cíclico.

Estamos entre o futuro e o último poema, então, que possamos contemplar intensamente a vida com um passar mais leve.

Brasil,  país do futuro. Será?

Será o que a gente escrever. Mas muitos preferem o leito leituras.

… da contemplação do Mundo.
Só o tem quem nada cobice,
Nem lamente o que já não teve,
Quem já ao partir na velhice
Sinta um partir mais de leve.
O olhar despede mais chama
No instante de despedida.
E é na renúncia que se ama
Mais intensamente a vida.

O Último Poema de Stefan Zweig 

Esse é um trecho do poema que encontra-se no livro “Morte no Paraíso” do jornalista Alberto Dines (quem foi o maior divulgador das  obras de Stefan Sweig no Brasil).

Leia o poema completo aqui.

15 comentários

  1. As projeções podem mudar de acordo com situações imprevistas.
    Hoje não vejo como país do futuro. No entanto é preciso manter a esperança de dias melhores.

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  2. Tá explicado era um judeu que viu no Brasil oportunidades sem ser perseguido. Penso que já esteja ele em seu futuro como celeiro agrícola é o máximo que alcança.😔

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  3. É que juntei tudo. O judeu encontrou oportunidades pois tem visão para isso e no Brasil eles não são perseguidos e o Brasil já chegou no seu futuro como número um na agropecuária é o máximo que alcança pois não desenvolve tecnologia por conta de sua própria constituição. Deu para entender agora espero.

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  4. Compreendi. Sabe que depois que escrevi esse texto fiquei pensando como aqui se reconstruiu em menos de um centenário e países como Índia, China e Brasil continuam com suas disparidades sociais e políticas… Conclui que aí tem um tanto do tamanho geográfico pra administração, outro bom tanto de paradigmas limitantes tanto de quem quer manter o poder quanto os de quem se deixam ser controlados… outro fato é que nossa vida na Terra é muito passageira para vermos grandes transformações, mas com certeza hoje temos mais evolução que ontem. Por fim, esse grande mistério da vida talvez não possa ser compreendido em suas partes fragmentadas e apenas com os conhecimentos que já adquirimos. Todo incômodo é para nos fazer criar algo novo. O Brasil é forte na agropecuária sim, mas eu continuo acreditando na competência desse povo que a tudo transforma. O que o Brasil precisa é encontrar a própria identidade e se valorizar. Imagino cada cérebro que só precisa de alimentação e informação para que haja a transformação desse país em um lugar prazeroso de se viver. Eu confio em dias melhores. Abraços querido C. kambami. Bom ouvir sua opinião.

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  5. Chega uma hora que a aluna precisa discordar do professor 😊
    O fututo do Brasil é o que plantamos agora, seja a semente boa ou ruim, a colheita não depende só do solo, mas da essência da semente e dos cuidados com a plantação.
    Depois pesquisando sobre a vida de Stefan Sweig nos filmes e documentários de Alberto Diniz, percebi que nem Sweig tinha noção da dimensão que essa frase ia tomar. O livro foi publicado em diversos idiomas e recebeu muitas críticas… eu acho que enquanto se ficar comparando o Brasil com outros países, ou imitando outras culturas, a ordem e progresso serão vagarosas.
    Talvez a solução seja assumir nossa parte na plantação, tirar as ervas daninhas, adubar organicamente os brotos e do mais você já sabe foi e é um exímio cuidador de rosas.

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  6. Estamos em acordo, tendo em vista que concordar é está com o coração… Não li o livro, mas, o titulo de fato deixa, esta, digamos interpretação: país do futuro… Tenho cultivado brotos pensando no presente, mesmo que o presente me escape a todo momento em direção ao futuro.

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  7. Confesso-lhe que depois que aprendi o significado da palavra concordar nunca mais usei a palavra discordar para com mais ninguém.
    Estamos de acordo…❤️

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