Intimidade

Geralmente há dois artefatos essenciais nos banheiros dos apartamentos alemães: a máquina de lavar roupas e a banheira.

A lavadora é por motivo de falta de espaço, o metro quadrado aqui é muito caro e o território geográfico é reduzido.

Já a banheira é para ajudar a aquecer os dias no longo inverno, e porquê em termos de custo benefício é ilógico ter e manter uma piscina.

Por ossos do ofício, longo tempo fui mais ligada no fato da lavadora do que na arte da banheira. De uns tempos para cá essa lógica vem mudando.

Reservo pétalas de flores que secaram ou cairam das minhas plantas, comprei um bom sal de Epson (sal amargo) e lá vou eu nadar, ou melhor, fazer nada.

Nesses dias a seleção de pétalas foi de amor perfeito, rosas e crisântemos. Uma explosão de cores, formas e texturas.

Ali imersa n’agua olhei aquele tanto de flores em cima de mim e tomei um susto. Por segundos, a senhora morte me cutucou com o pensamento: deve ser essa a sensação de estar dentro de um caixão…

Como vira e mexe essa senhora me aparece, não fiquei chocada, fiz daquele pensamento como faço com as roupas, tirei da máquina, estendi no varal e fui me ocupar de outro serviço.

No caso, focar nas pétalas, na água, na pele, no relaxamento.

Conto isso tudo para vocês para dizer que às vezes o que precisamos mesmo é lavar a alma com tudo o que nos acalma, sinta, mesmo em recintos apertados.

Adoro essa música:

Bom pra você – Álbum Intimidade- Zélia Duncan

9 comentários

  1. Cris, adorei tuas fotos e palavras que fizeram refletir…Temos mesmo que deixar de ser apenas “ladadoras de roupas”, pois a alma e coração também desses banhos necessitam! Adorei! bjs, tudo de bom,chica

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  2. Voltei de uma certa forma à minha infância Cristileine… na casa onde morei por vinte e tantos anos, havia uma enorme banheira que nos servia de piscina nos finais de semana. Com o passar do tempo, devido ao número excessivo de cotas do nosso clube náutico particular (11 irmãos) a piscina foi interditada por minha mãe devido as brigas constantes kkkkkkk. Me deu foi uma baita de inveja desta piscina cheio de pétalas… no meu tempo era banhado por mãos e pés na fuça kkkkkkk.. Adorei imergir nesta prosa. Bons banhos…. beijo no coração!

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  3. Fiquei imaginando essa sua piscina particular na infância, estou certa que daria tudo para participar dessa festança de novo. Também fiquei pensando na sua mãe tentando controlar 11 crianças ensaboadas, realmente nesse caso só interdição. Risos. Fica em paz, Sandro e lembre que mesmo as pétalas caídas tem serventia. Abração.

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