É possível separar a dor e o sofrimento?

Quem já passou por alguma cadeira de psicoterapia certamente ouviu essa frase de forma direta ou floreada.

A dor é um fato, o sofrimento é opcional.

Hum! Vamos analisar esse argumento.

Comparo a dor da alma (a depressão) como um poço sem fundo, numa cratera escura, sem rumo e sem direção, caímos nesse pesadelo que desespera até a dor (desesperador).

Há também a dor física que pode variar de um leve incômodo até dor que provoca limitações pontuais, ou mesmo, a incapacitação.

Lembro ainda, a dor social, essa mesma que nos acompanha de gerações e gerações. Como viver em paz num mundo com guerra e fome?

É meus amigos, poderia dizer que nosso desafio é grande, mas, me resumo a dizer que o nosso desafio é sempre.

Ainda que negue (a dor oculta), a dor cutuca, machuca, nos coloca em movimento, nos tira da zona de conforto. Pois, muitos de nós esperamos a dor ficar insuportável para mudarmos de postura…

Aí que entra: o sofrimento é opcional!

Como assim? Escolhemos sofrer?

Sim! É chocante, mas sim. A dor não vai deixar de doer se você escolher se você escolher ser grato ou ser chato. Ela não vai te poupar se você resolver xingar ou louvar. Ela vai latejar quer você escolha ficar na cama ou sair pra caminhar.

Então, o que muda?

O que muda é que no presente construímos nosso futuro. Ficar em cima do muro, se jogar dele ou pensar alternativas para construir uma porta, tudo está em nossas atitudes.

Sei que é fácil falar, mas, cultivar bons pensamentos, evitar o sofrimento, aceitar e acarinhar a dor… são tarefas difíceis. E quem disse que viver é fácil?

Tudo o que queremos que seja bem sucessdemanda tempo e energia. Com a saúde mental não é diferente. Depois da tempestade, a faxina. Talvez nada mais volte a ser como antes, mas descobrirá novos lugares para depositar seus momentos.

E quando menos perceber a dor dará trégua. Afinal, *não só de dor vive o homem, mas de tudo o que faz nesse mundo circuLAR.

*alusão ao versículo de Mateus 4.4
Está escrito: nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus.

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9 comentários

  1. Para um leigo como eu, há uma relação quase que direta apesar do “O amor é ferida que dói, e não se sente”…..rsrs

  2. “Agora vejo em partes, mas então veremos face a face”… Há uma relação fortíssima.

    Venho aprendendo que primeiro é preciso saber discernir o que é dor e o que é sofrimento, e só depois se perguntar: o que farei pra melhorar essa dor e sair desse sofrimento?

    Hoje a resposta que dou ao título é que é possível sim, mas, nem sempre pensei assim.

    Fiquei feliz que você lembrou dessa música, ou melhor, desses versículos (ver círculos). Risos. Difícil para eu conter as rimas.

    Boa semana Jr.🙋🏽‍♀️

  3. Para quem sofre na pele é na alma o enfrentamento de questões tão importantes como estas, é uma luta sistemática.
    Boa sorte, sempre.

  4. post de maior relevância. poderia ficar apenas no velho clichê de que toda dor é sofrimento e todo sofrimento é dor. mas, não se encerra no clichê. deixo aqui apenas minha experiência com o câncer. fui pragmático desde o início do diagnóstico. separei o mental do emocional (olha a rima!) não foi difícil pois desde o primeiro exame que denunciou a presença de lesão no intestino, me preparei para a notícia. e desde então todos os passos que precederam cirurgia, colocação de cateter no peito, quimioterapia e dieta controlada mentalizei o que deveria ser feito, e fiz (ainda fazendo). tive plena consciência do que estava acontecendo e o que poderia (e ainda pode) acontecer, e discernimento para criar as situações internas para superar cada etapa que iria e estou vivendo. há uma frase maravilhosa, por certo já gasta pelo uso, que escutei ao final do filme Resgate do Soldado Ryan, onde o capitão vivido por Tom Hanks, já próximo da morte, responde ao Ryan resgatado, que perguntou o que poderia fazer, ele apenas disse: Faça por merecer. por óbvio que nunca me afastei da fé, do meu interior espiritualizado, porém, tive o discernimento, repito, de fazer por merecer e para isso foi necessário uma boa dose de racionalidade. hoje, ao final do tratamento, está faltando apenas mais uma aplicação e os exames de controle, mantive todos os níveis clínicos equilibrados, minha imunidade em nenhum momento baixou, enfim, não sofri maiores dores ou sofrimentos com a quimio que não fossem passageiros em especial na primeira semana (faço de 15 em 15 dias) como cansaço, enjoos, falta de sensibilidade nas mãos, zumbido forte na cabeça. sinto-me, dentro do que tenho por que passar, bem. e agora, vamos ver o resultado disso. senti dor e sofrimento? sim, e muito. todavia, a tranquilidade em pensar sobre trouxe a escolha por racionalizar o momento e fazer as escolhas que fiz. sei que cada pessoa e cada situação é diferente uma da outra, mas deixo esse resumo longo como uma pequena colaboração através da experiência que vivo. um grande abraço, Cris, e muito obrigado por tudo.

  5. Oi, Cris!
    Paz e bem!

    Cada um é que sabe onde dói seu calo.
    Sentimento, dor, tristeza e desânimo…
    Fardo que cada um carrega enquanto há
    Vida…
    Posso não sentir a dor dos outros, pois cada um
    Sente a intensidade da sua, a qual não podemos medir…
    Mas, compartilho com atenção a dor dos
    Outros… pois sei quanto em mim dói…
    Beijinhos minha linda!
    Fique bem.

  6. Bom dia Fernando, mais uma vez mostra sua grandeza de espírito, mais uma vez fortalece minha fé. Gratidão!

    Com certeza alguém vai ler seu comentário e se identificar, ou porque já passou e passa por isso, ou porque sabe se colocar no lugar do outro. Tudo é oportunidade de superação.

    Volto a dizer, para a sintonia não é preciso estar perto e nem se conhecer pessoalmente. Desde o início do blogue sinto a força de sua presença no mundo. É muito bom! É algo quase inexplicável por ser magnífico, como a fé. Obrigada por existir…

    “Separar o mental do emocional, mentalizar (o melhor), fazer por merecer (a vida, ainda que não compreedamos alguns caminhos)”, eis o que você exerce na prática o que eu venho lutando para me conscientizar. Essa troca é edificante.

    Queria responder com menos emoção, então, pensei bem e conclui: essa vida é um lampejo, que cada um saiba de sua importância nela.

    Força e abraços, Cris🌷

  7. Paz e bem Rita!

    Nessa altura do campeonato, espero que aquela sua dor física já tenha amenizado (conseguido a cirurgia) e que a alma esteja forte no seguir… Quando estiver triste olhe para esse céu azul revigorante que nasce todos os dias, é o caminho do siga.

    Abraços cristalinos 🌻

  8. Oi Cris!
    Paz e bem!
    Minhas dores não passam, ao contrário cada dia pioram. Vezes menos intensas, vezes muito intensa, dicerto que convivo com elas vinte e quatro horas por dia.
    Beijinhos

  9. Nessa última ida ao Brasil vi minha mãe na mesma situação, nem o Tramol aliviava… é duro. Ainda assim vou lhe falar o que disse para ele: não desista, cuide da mente, movimente os outros lados sempre que possível. Abraços.

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