Procura-se

Fiz um rasgo no chão

De fora a fora

Olhei a cicatriz

Que jamais sairá

Chão não tem queloide

Que sorte/

Bati a cabeça na parede

De propósito

Parede não tem cérebro/

Nem a dureza das construções

Nem a fragilidade corporal

Poderiam me entender

Viver dói/

Presa no tempo e no espaço

Que escreveu

Escreve escrava

Escrevi

De cicatrizes e cérebros

Cavando e cavada

Por poesia.


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