O luto, a morte, o sentimento de perda

O que: Vida: perdas e consequências

Quem: psicólogo Ivan Capelatto

Onde: Território do Conhecimento

Quando: 15.04.2015

Por quê: Nessa palestra o psicólogo Ivan Capelatto fala sobre a morte, o amor, o medo, e especialmente sobre como esses sentimentos refletem em nossa saúde mental na forma de distimia, depressão, psicopatia.

Essa apresentação foi baseada em estudiosos sobre o luto como Freud, Kubler-Ross e Felipe Arriés. Há uma poesia de Averil Stedeford transcrita abaixo e sugestão de um filme sobre um psicanalista que perdeu um filho: “O quarto do filho”.

O psicólogo Ivan Capelatto explica que o luto passa por fases:

  • raiva
  • negação
  • dor da saudade
  • sensação de falta

Sendo que a morte tem muitas faces: a morte de uma pessoa querida, a morte de um sonho, de uma posição social, de um animal de estimação, a morte causada pelo bullying, pelo assédio, pelos assaltos, pela mudança de casa, escola, país.

Diz ainda que o amor e o medo caminham juntos, que se cultivarmos só o amor, e negligenciarmos o medo, ficaremos doente.

Sendo assim, precisamos saber lidar com o não, com o medo, com a morte. Autorizar a dor, viver o luto, lembrar dos mortos (um pedaço do nosso desejo que se foi).

Principais frases de Ivan Capelatto:

“A irritabilidade é o primeiro sinal da depressão…a criança começa a ter alergias, problemas intestinais, xixi na cama.”

Distimia, uma espécie de depressão, consequente ao não luto de um evento qualquer.”

“Nós somos animais de linguagem, tudo o que acontece a gente precisa falar, tem que ser batizado, ganhar nome, sobrenome e sentimento. A gente precisa falar“.

“Na grande depressão: a pessoa tem uma perda, coloca a raiva no lugar da perda e imediatamente coloca a tristeza no lugar do medo da perda.” (nos 27 minutos do vídeo)

Nenhuma depressão é frescura, é doença, precisa levar no médico, precisa tomar remédio, precisa de terapia”.

Lembrar do luto começa a desmanchar a distimia e a pessoa começa a ter uma vida prazerosa de novo.”

“O transtorno pós traumático como o estupro (inclusive o de homens que é mais comum do que pensamos) não tem cura, apenas tratamento e terapias”.

“Como o psicopata não sente medo, raiva, culpa ele precisa que você se mostre frágil…ele precisa retirar do outro o que ele não consegue sentir”.

Quanto a religião, Capellato diz que a fé traz esperança mas não ensina lidar com a falta. Ele contesta a frase “Seja feita a tua vontade” da oração do Pai Nosso.

Atualmente, não estou religiosa, mas estou numa busca constante de espiritualidade. Mesmo assim, discordei desse posicionamento de Capelatto.

O “Pai Nosso” é muito mais do que o sentido literal da oração, depois que li o livro de Rubem Alves há muito tempo atrás – Pai Nosso / Meditações – absorvi uma visão completamente diferente.

Hoje, para mim o “Seja feita a sua vontade” significa caminharmos para uma consciência maior, una, onde há o acolhimento de que todos precisamos, o viver a humanidade. A vontade maior que é além da vida e da morte.

POEMA Elipse, Averil Stedeford


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8 comentários

  1. Miau, gosto demais de receber dicas de temas para escrever. É do meu interesse sim. Assim que preparar um post sobre o assunto te aviso. Você já leu o livro Inteligência Emocional de Daniel Goleman? É muito bom. Estudei nele na época de faculdade. Agora você me deu a ideia de retomar a leitura. Obrigada.

  2. Eu conheço o livro e o autor, mas não o li. Eu li Cultive a sua inteligência emocional de Daniel Chabot, mas não lembro do conteúdo. Isso já uns 10 anos atrás.

  3. É isso que fico pensando, nos mil textos que lemos e não usamos. Que ao menos fique registrado na alma. Falei disso com meu filho, ele disse: mãe pare de procurar função em tudo, simplesmente aproveite…

  4. É verdade, aproveitar o momento.
    Qdo vc perguntou me sobre o livro, eu sabia q tinha lido um livro sobre o assunto, mas não lembrava o autor, e se calhar podia ser o do Daniel. Fui consultar minha lista. Foi neste momento q tb senti isso q vc disse ao filho. Eu não conseguia me lembrar do conteúdo de muitos daqueles livros q li, mas tinha um sentimento de ter aproveitado o momento, enqto os lia. De qq forma, por alguns segundos senti um vazio, uma culpa.

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