Metade

Sou a filha do meio, naquela casa do meio da rua.

À meia noite ouço um barulho estranho e escondo meu rosto no cobertor.

Ao meio dia faço de conta que está tudo bem para alegria de toda família.

Outro dia eu acordei meia estranha, corri para a varanda quando percebi que eu tinha perdido a metade do que me restou.

Busquei atrás dos arbustos, na casa do gato, em cima do telhado e nada.

Olhei no espelho e me perguntei cadê?

Antes disso, eu já estava acostumada com aquela vida meia morna e irrefletida.

Dei meia volta volver e comecei brincar de soldadinhos de chumbo do meu irmão mais velho.

Nada conteve minhas meias trapaças, parecia que agora meus pés eram o próprio chumbo de tão pesados no caminho da imobilidade.

Percebi que era tempo de ficar quietinha. Meias verdades nada iam adiantar.

Deitei e coloquei meias quentinhas, precisava ouvir meus pensamentos, mas confesso que tinha medo das minhas muitas indecisões.

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