A saudade

A saudade pode ter

Cheiro de laranja bahia

Relógio de bolso do vô

A trança do cabelo da bisa

Balanço do rabo do cachorro

Amassar pão com a vó

Das gargalhadas com as amigas

Das conversas com a boneca

Das fugidias para namorar

Do sorriso do sogro

Do cobertor de infância

Das dobrinhas do filho bebê

De ver a fonte luminosa

De casa, dos casos, dos causos

A saudade não nasce

A saudade vive

Para sempre

Marcando suas digitais

Nos tocando

Nos sentindo

Nos provando

A saudade diz

Levanta humano

Sóis imortais

Que amam

Que ama

Que há

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Este poema foi inspirado numa fala da minha mãe que ecoa na minha cabeça há anos. Sempre nessa época de fim de ano, especialmente nas festividades, ela fica triste e chora. Uma vez questionei o porquê. “É a saudade minha filha, um dia vai me entender”. Entendi.

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Esta obra está licenciada com uma Licença
Creative Commons Atribuição Não Comercial Compartilha Igual 4.0 Internacional

17 comentários

  1. Tão lindo! Me fez lembrar do meu avô, uma pessoa muito especial que perdi semanas atrás. A saudade é um privilégio daqueles que amam verdadeiramente ❤

    Curtido por 1 pessoa

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