A vida nos colorindo

A viagem para o Brasil

Em 1912 meu bisavô embarcava num navio com sua família da Espanha rumo ao Brasil, fugindo da fome e com a promessa de viver num país promissor.

No Brasil as plantações iam de vento e polpa, a libertação da escravatura havia acontecido a poucos anos e precisavam de mão de obra barata.

Assim os escravos africanos foram substituídos por “trabalhadores” europeus que passaram por dias muito cinzas no solo verde e amarelo brasileiro.

Na época meu avô tinha três anos, ele cresceu, formou família. Meu pai conta que meu avô trabalhava na roça e não tinha salário em moeda, só ticket alimentação e fazia muito escambo de produtos com os vizinhos.

Como vemos os resquícios da dominação é difícil de desenraizar da raça humana, trocam os personagens, os lugares, mas a ganância continua a mesma.

Por essas e outras precisamos olhar com mais atenção para os direitos humanos, o direito de liberdade, e muitos outros direitos adquiridos e desejáveis.

Mas, o assunto por aqui não é só história hoje.

A viagem para a Espanha

Passado todo esse tempo tenho o privilégio de estar pisando em terras espanholas com meu pai e minha família.

A ideia original era para virmos de carro, são 1650 quilômetros da Alemanha, porém, não importamos com isso, gostamos de ir descobrindo lugares.

Uma semana antes da viagem deu um problema no pé do meu marido que lhe limitou a movimentação. Passamos por três médicos, exames, raio x, muletas, etc

Os médicos alemães são diretos “o senhor não tem nada, é um caso fantástico“. Passado o susto, rimos, “pelo menos não disseram que foi virose”.

Enfim, sem planos, reservas e expectativas, resolvemos pegar avião de um dia para o outro e cumprir o combinado de levar meu pai para conhecer a Espanha.

Tudo muito bom até eu perceber que estavam acabando os antidepressivos. Peguei a receita e fui na farmácia.

Não senhora, essa prescrição não é válida aqui só em teu país de morada. Eu não posso vender porque se trata de remédio que mexe com o sistema neurológico. Terás que procurar um médico para transcrever essa receita.”

Lá fomos na onde indicaram, não nos atenderam, fazia parte do sistema público de saúde espanhol e só atendem quem tem a carteira de saúde da União Européia.

Nosso convênio é da empresa, particular como eles chamam aqui, tivemos que recorrer a um médico, fazer e pagar a consulta, para transcrever a receita.

Como sempre acontece na Alemanha, na Espanha também não os tinha os antidepressivos à pronta entrega. Se encomenda num dia, chega no outro, nunca entendi isso.

“Por que você não viu isso antes, oras porque achava que não ia mais viajar”.

Nesse ínterim fiquei com um frio na barriga de não encontrar os medicamentos, sei bem que não é o tipo de remédio que se pode parar de uma hora para a outra, os efeitos rebotes são intensos.

Conto isso para vocês para ficarem alertas quando forem viajar, ainda mais se for assim de supetão.

Por fim, tudo vai dando certo e evoluindo, seja um neto de imigrante pisando em sua terra de origem, ou, o tratamento de uma doença que antes não me permitia sair de casa, e quando saia não me divertia porque via tudo cinza.

É a vida e suas voltas nos colorindo.

Ah e por sinal os dias aqui estão muito

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11 comentários

  1. É sempre complicado isso do remédio mesmo, tento sempre ficar de olho pra ter por bastante tempo!
    Mas ainda bem que deu tudo certo. 🙂
    E boa viagem, aproveitem!

    Curtido por 1 pessoa

  2. Está sendo boa demais sobretudo por aprender as histórias, ter contato com a cultura, e observar até as pequenas coisas. Por exemplo: hoje entrei na pousada e ri sozinha, em cada país o formato do travesseiro é diferente, no Brasil é um retangular médio, na Alemanha é um quad rado gigante, aqui na Espanha achei um cilindro imenso. Assim vamos…
    Abraço afetuoso para você e toda família Dulce com cristais de felicidades. Feliz Ano Novo.

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