Fique quieta.

KEEP QUIET, era tudo o que eu precisava ouvir.

De uns tempos para cá venho numa queda de humor, a qual tentei negar, mas ela foi crescendo. É difícil distinguir quando são as garras da depressão e quando são os problemas do dia a dia que estão incomodando. Tento ficar firme e resistente porque sei que afinal a vida não está fácil para ninguém.

Eis que voltaram os sintomas: cansaço excessivo, dores no corpo (no peito, nas costas, no joelho, no ouvido), tensão muscular, choro, acordar de madrugada, evitar encontros, cancelar compromissos, desanimar dos planos, não ver graça e sentido em nada…

Hei pára isso aí já não é tristeza, nem algo do além querendo te derrubar, isso aí é a inflamação da alma, assim chamo a depressão.

Nas postagens anteriores, contei para vocês que achava que eu estava começando o processo de desmame dos antidepressivos. De dois, fiquei com um; as consultas com o psquiatra passaram de mensais para trimestrais. O que me deixou muito feliz.

Porém, essa primeira tentativa falhou, nesses três meses tive muita oscilação de humor, mesmo sendo aconselhada duas vezes pela psicóloga para voltar no psquiatra, tentei segurar firme e forte. Segurei demais.

Cheguei lá nessa terça-feira quebrada, quando estou assim se percebe até no meu rosto, olhar vago e desvitalizado, acompanhado de certa indiferença pela vida e frequentes pensamentos em morte.

Isso tudo bem agora que estava indo tudo tão bem, conheci bastantes famílias brasileiras, estava cheia de projetos, fazendo esteira, comecei meditar e cuidar da parte espiritual, tive um mês de colo de mãe, enfim, fazendo de tudo como recomenda a bula…

A psicóloga ficou procurando os motivos para essa queda, eu nem isso procuro mais. O que tento é acalmar a mente e relaxar o corpo que dói.

Nessas horas o negativismo e a culpa também atacam, dizendo você não vai conseguir, você fez isso e aquilo, você parou o que começou, você, você, você.

O mais instigante é que não aparece seus ganhos e méritos nesses momentos. Se não fosse a psicóloga me lembrando de tudo o que já consegui progredir, nem sei viu, essa foi a última dela que estou refletindo:

“Ao que não podemos chegar voando, temos que chegar manquejando”, Freud.

Já o psquiatra: “Frau Leao, vamos ter que voltar com o outro antidepressivo e quero ver a senhora daqui duas semanas. Também tome a vitamina D porque a falta de sol afeta até os nativos. Esquece tudo o que a senhora parou, o que não fez, o que tem que fazer. Por favor, KEEP QUIET, fique quieta, se respeite que tudo vai passar.

Do teste para antidepressivo

Nessa consulta também perguntei para ele sobre o teste farmacogenético que estão fazendo para descobrir qual o tipo de antidepressivo que mais se adequa a cada pessoa. Aquele teste que já escrevi aqui feito pelo jornalista Jorge Pontual. Soube que esse teste já está sendo feito no Brasil, inclusive com cobertura de alguns planos, mas é bem caro. Pesquisei antes, aqui na Alemanha ele também é caro, cerca de 300 euros.

O psquiatra esclareceu que esse teste é indicado para as pessoas que não respondem ao tratamento, e para as que têm alergia ou efeitos colaterais muito intensos dos antidepressivos. O que não é o meu caso, já que tive progresso com o tratamento, só preciso de ajustes. Ainda estou tendo energia para levantar da cama e clareza de pensamentos, o que já tinha perdido antes, a apatia tinha dominado.

Sai de lá pensando o tormento que é a vida das pessoas que não respondem ao tratamento. Lembrei da mais recente pesquisa que classifica os depressivos em três subgrupos: D1, D2 e D3, sendo que o grupo que não reage aos medicamentos são os que sofreram traumas na infância.

Conclui que o cérebro (mente/subconsciente/alma) é como a *Caixa de Pandora e que vai longe para ser desvendado. Ainda bem que não escapou a esperança…

*Caixa de Pandora = da mitologia grega, na caixa continha todos os males do mundo. Pandora abriu a caixa deixou escapar todos os males do mundo, menos a esperança.

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Atribuição 4.0 Internacional

25 comentários

  1. É engraçado isso né? De repente parece que o cérebro nos dá uma rasteira. E a frustração de que uma evolução (desmame de medicamentos) deu errado é enorme, mas a gente acaba cedendo porque o sofrimento não compensa. Acabei de sair de uma fase assim, só que de mania, e dá vontade de ficar asaim pra sempre. Mas a felicidade pra nós é mais trabalhosa… mas nos torna mais resilientes. Portanto… PARABÉNS! Você está vencendo mais uma vez.

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  2. Se o escrever e partilhar estas palavras for uma ajuda nestes momentos, esteja certa Cris que aqui estamos para as ler com todo o carinho e torcendo para que em breve este obstáculo seja novamente ultrapassado.
    Um abraço e desejo um bom fim-de-semana!

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  3. Não é remédio, mas um exilir de bem-estar bem, e isso basta. Aprendi com um mestre certa vez que em grande parte tornamos os problemas em problemas por assim os enxergar. Ele me disse: ” olhe para tudo como oportunidade, e se insistir em lhe parecer um sapo a mais a engolir, engolindo ele indigesto será, ao vomitá-lo ainda mais feio lhe parecerá, então olhe pra isto e diga em bom som que não há problema, e ele sairá do foco, desaparecerá como num toque de mágica, pois a mente voltar-se-á para aquilo que importa”

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  4. Eu voltei, pq eu andava com pensamentos muitos tristes. Estou com pouco tempo depois de fazer mais uma tentativa de curso. Estou numa escola melhor, mas o teste que fiz colocou-me no nível 3. Eu queria estar no 1. Kkk Tem sido muito stressante, já estive para desistir. Estou contando os dias de tudo isso acabar. Um certo arrependimento. Nem sei o que. Nem me importa mais seguir p o 4 ou não.
    Melhoras! Um abraço.

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  5. Força, minha amiga. Saiba que gosto muito do modo como você aborda a realidade da depressão. Gostaria que fosse uma visão da qual as pessoas compartilhassem mais…quem sabe assim seria menos tabu conversar a respeito.

    Um abraço ❤

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  6. Você está entre as blogueiras que mais leio e sigo… suas experiências me ajudam a lidar com os casos que acompanho nas escolas que trabalho, tanto de alunos/as como de professores/as… você abre a alma pelas palavras… coragem é pouco para descrever esta virtude… força sempre, principalmente, no inverno europeu… abraços Cris.

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