Depressão, desabafo.

Até que essa matéria sobre os 7 sinais de que você está se recuperando da depressão, do site Minha Vida, é bem interessante. São eles:

  • Maioria dos dias sem se sentir triste e irritado
  • comer normalmente
  • dormir normalmente
  • ter mais disposição para interação social
  • trabalhar e se concentrar melhor
  • aumento de libido
  • ausência de pensamentos suicidas

Desde quando comecei o tratamento estou numa gangorra emocional, agora estou embaixo, sentindo as energias minadas e não atendendo nenhum desses 7 fatores.

A última vez que fui no psquiatra eu estava bem, isso há mais de dois meses atrás, estava numa onda tão boa que ele estendeu o prazo das consultas. Antes eu ia mensalmente, agora ele marcou daí 3 meses.

Nesse período a psicóloga já pediu para eu voltar no psquiatra duas vezes. Teimosa que sou, fico segurando e tentando domar o humor e a dor.

É muito complicado você entender até que ponto é a depressão em forma de doença, e até que ponto é o seu comportamento e personalidade que precisam serem trabalhados.

Meu grande desejo era receber meus pais na minha casa, a primeira vez que isso aconteceu, no natal do ano retrassado, eu estava muito ruim e nem sabia que tinha depressão. Só chorava e ficava no quarto. Meu pai até me perguntou se meu marido estava me destratando e se queria voltar pra casa dele. Cômico se não fosse trágico.

Dessa vez, que recebi minha mãe e minha sogra, que estou em tratamento foi tudo bem melhor. Tive energia e vontade de passear e estar com elas. Também conheci mais famílias brasileiras aqui que se reúnem constantemente.

Um cenário muito agradável, mas a tristeza insiste em se instalar em mim. Luto com ela todos os dias, ultimamente tenho perdido. Percebo que eu estou mais me entregando do que presenciando a convivência.

Até já consegui uma explicação para isso, a mudança de tempo, isso mesmo a depressão sazonal. Se você quiser saber mais é só ir no pesquisar e procurar os outros posts.

O frio já começa a se intensificar. O céu azul me faz muita falta. A luz do sol também. Não tinha ideia de como o clima pode nos afetar antes de mudar de país.

Mas já que esse é um fato que terei que lidar no mínimo uns cinco meses com esse clima, estou preparando o campo de batalha.

Comprei uma daquelas luzes que imitam o sol, chamada daylight, muito indicada para a depressão por aqui. Mas, adivinha, não está funcionando, preciso entrar em contato com a loja para resolver isso. Depois conto como ela funciona.

Dias escuros assim, são um convite para ficar deitada e não sair de casa. Mas, tenho compromissos externos. Sair tem sido um sacrifício. Mesmo quando é para se divertir.

Perdi o interesse no curso de alemão, que tanto preciso, usei como desculpa a visita das mães para faltar um monte. E vivo pensando o que estou fazendo aqui, não falo da Alemanha, falo do planeta Terra.

Enfim, o sinal saiu do amarelo e foi para o vermelho. Antes eu não me percebia tanto. Agora só fico pensando no que posso mudar e melhorar…

Arrumei um cantinho para meditação, estou me religando nos cuidados com a parte intuitiva. Pretendo por em prática alguns planos tanto espirituais quanto profissionais.

Para o corpo, banho quente sempre é relaxante. Consegui um óculos para massagem nos olhos, são eles e as olheiras que entregam quando não estou num bom momento.

Na casa, o fogo na lareira, velas e flores dão ar de vida.

Queria muito ser diferente, mais animada, festiva, cheia de vivacidade e presença. Mas, tenho que me adaptar ao que sou.

Quero muito que meus amigos e família saibam que meu amor vai muito além do que consigo demonstrar.

Queria muito ser útil à humanidade, mas não me aproximo porque temo qual de nós duas irá sofrer mais.

Hoje me sinto paralisada, mas amanhã é outro dia.

Um dia completo esse quebra cabeça.

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Atribuição 4.0 Internacional

24 comentários

  1. Quando a leio, e, especialmente, neste texto, custo a crer que alguém que consegue escrever tão bem e tão profundamente, esteja tão seriamente doente… sua existência pode não mudar a humanidade, mas seus escritos ajudam muitas pessoas a se tornar mais humanos, inclusive, eu… abraços…

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  2. Estevam, bom saber disso! Também demorei para aceitar essa palavra doente, todos queremos ser saudáveis. Mas, até hoje, não achei explicação para esse vazio existencial. Não é falta de Deus, nem frescura, nem falta do que ter o que fazer… como muitos dizem. Pelo contrário, tenho do bom e do melhor dessa terra e não queria estar aqui, e não queria que a vida continuasse após a morte. É muito ruim, pesado e triste pensar assim. Mas hoje não ne envergonho de falar, porque luto contra isso e procuro ver a beleza e busco significados. Sei que estou assim, não sou assim, porque há algo maior e supremo que os próprios sentimentos. A escrita é meu modo de extravasar. Na escrita os pensamentos me são mais claros, tomam vida, crescem. Pessoalmente tenho dificuldade de falar, tenho fala lenta e pensamento desorganizado como muitos depressivos. Não sei se eu “não tivesse passado pelo vale da sombra da morte” se eu escreveria tão profundamente. A pior morte Estevam não é a do corpo, é a da esperança…

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  3. Aqui no Brasil há um sentimento destes em mais de 80 milhões de pessoas, depois de ontem…muita gente triste e sem esperança… Talvez, seja melhor o frio alemão que o calor da repressão… Desculpe-me misturar as coisas, mas, escrever para mim é quase um grito de indignação. Abraços.

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  4. Oi, querida! Acho tao importante ter um espaço como este para desabafar… Eu também sou sempre vítima da depressão sazonal, desde que me mudei para a Europa… Fico meio chateada de ser vulnerável a algo tão presente quanto o clima, mas o jeito foi aceitar e acho as rotinas que me permitissem sair do buraco. Já pensei várias vezes em comprar essa daylight, quando ela voltar a funcionar, diga se funciona! Algo que já me recomendaram várias vezes também são os bronzeamentos artificiais, na potência mais baixa e durante uns dez minutinhos só para ter vitamina D. Para mim funciona começar a tomar as gotinhas de vitamina no final de setembro.
    Também costumo relutar para procurar ajuda, é sempre difícil… Mas não se acanhe, amiga. A maioria das dificuldades na vida se resolve com ajuda 🙂
    Beijo e tamo junto!

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  5. Estou tão cansada Miau, é até visível. Uma luta para não me entregar ao desânimo. A tal da luz de reposição chegará em breve. Já ouvi dizer que é isso é paliativo. Mas sabe como é, tentamos de todos os lados. Obrigada pelos votos de melhoras. Desejo que você esteja bem.

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  6. Admiro sua força, Cris. Você continua tentando – compra a luz, acende a lareira, espalha flores e velas pela casa, arruma um cantinho de meditação.. Veja tudo isso que você faz por si mesma (ao invés de pensar em como gostaria de ser ou como queria se sentir), e sinta orgulho de sua força.

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  7. Fulana, gosto tanto de ouvir suas venturas. Fico me perguntando quando vou me acostumar com essa falta de luz daqui. Rotina sem dúvida ajuda, tomo a vitamina, nunca fiz o bronzeamento. Te falo as impressões da luz assim que possível. Tenho retorno em poucos dias, então estou segurando. Sei que passa. É isso aí, tamo junto 😉

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  8. No meio disso tudo descobri a persistência, e isso é bom. Logo chega os ares de ânimo. Respire que passará, não se apegue no sofrimento, sempre lembro disso que você escreveu, e me ajuda. Abração Bia.

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  9. Quando os dias cinzas vêm a tona, escrevo como forma de grito mudo para que a tristeza não me abrace tão profundo ao ponto de me soterrar nas trevas. Essa doença que nos ronda e nos faz querer fugir deste planeta tem de ser fracionada e vivida a base de resistência. Por mais foda que tudo seja Cris, escreva e vomite tudo no papel, não salva mais ajuda a não enlouquecer de vez no mundão. Grande abraço!

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