Tim tim.

Aqui na Alemanha eles têm um costume diferente para brindar, em vez de fazer o tim tim com a borda das taças eles fazem com a base e se olham no olhar. Sei que essa última frase soou pleonasmo, mas é assim mesmo, eles fazem questão de fitar o olhar como se estivesse lendo um pedacinho do outro.

Confesso que foi difícil acostumar com isso, geralmente olhamos para a bebida, damos um olhar geral, sorrimos e logo começamos apreciar a bebida.

Com isso aprendi que nos pequenos hábitos são revelados o agir de um povo. Explico melhor, não é novidade para ninguém que é difícil fazer amizade com alemães, eles são mais reservados, ficam te analisando pelos atos e não pela fala.

Quando mudei para cá, veio um consultor da empresa para nos dar uma aula dos costumes e da cultura daqui. Lembro claramente dele explicando que alemães têm no máximo cinco amigos a vida toda, sendo que a maioria desses amigos são os que fizeram na infância.

Disse também que eles acham a amizade um compromisso muito grande, afinal amigos têm filhos, família, e todos vêm no mesmo pacote, inclusive de presentes de aniversários. Fiquei perplexa com essa descoberta.

Passados esses anos, os compreendo muito bem. Eles sabem separar e nominar bem, quem é amigo, quem é colega e quem é parceiro de trabalho.

Dificilmente eles vão te tratar como velhos conhecidos nos primeiros encontros, e primeiros encontros para eles são alguns anos. Churrasco de última hora nem pensar, eles já sabem o que vão fazer, e o quanto vão gastar naa férias do ano que vem.

Claro que têm exceções, e nem quero fazer estereótipos disso ou daquilo porque odeio quando pensam que “jeitinho” é só atitude de brasileiro.

O fato é que existem sim diferenças no trato pessoal entre nossas culturas. E isso não significa que eles são mais distantes e individualistas, visto o que aconteceu no pós guerra.

Há 73 anos atrás tudo isso aqui estava destruído, eles se reergueram que dá gosto de ver, fico especialmente admirada pelas ferrovias, #casodeamorcomotrem.

Pensem bem, sem cooperação, metas, objetivos comuns e o Plano Marshall nada disso teria acontecido.

Em compensação, a nossa tropicalidade, a cor e o sabor da nossa terra, o sorriso certeiro, as portas abertas, a criatividade são qualidades tipicamente brasileiras.

Realmente, são jeitos diferentes de brindar. “Prost – Saúde”

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