Até o The End.

Fiquei sabendo pelas mídias sociais que ontem foi Dia do Escritor, vou lhes contar a verdade não leio metade dos livros que gostaria e escrevo em momentos de bile ou júbilo.

Desde quando me identifico como ser, e até hoje considero a escrita como o sentido mais latente em mim. Sentido que nunca soube canalizar, desenvolver, ou, como demanda o mercado e o estômago, rentabilizar.

Não culpo isso devido ao meu escasso acesso à cultura quando menor, nem aos exaustivos dias de trabalho no jornalismo, nem aos dias sem face e sem autonomia desde quando resolvi deixar para trás as próprias conquistas e seguir mundo à fora o sonhos de outrem. Mudei, mudei, mudei e conclui que o status muda mas o extrato não.

Hoje posso dizer que sou uma dona-de-casa reconhecida, com os méritos advindos daqueles que juntos tivemos que aprender na prática o que é família.

Não sei se um dia serei uma escritora reconhecida, evidente que gostaria, quem escreve quer ser lido. Mas, nem sempre foi assim, por muito tempo meus textos ficaram escondidos, mas aí era uma questão de baixa auto-confiança.

Criei esse blog para falar das minhas experiências com a depressão e minhas perceções poéticas. Vira e mexe tenho que me cuidar para não sair do foco, quando vejo já estou escrevendo de tudo, de política à reclamações ao SAC, risos, desculpem aí.

Sim, hoje sem falsas modéstias, me considero uma escritora, e isso posso fazer em qualquer lugar e tempo. Não entendo o porquê demorei tanto tempo para admitir isso.

Escritor é todo aquele que se dilui no tinteiro para o movimento da pena tomar forma, seja ele publicado ou não.

Se um dia irei me profissionalizar, não sei, o pouco que conheço desse mercado é um rio de vaidades que não sei nadar.

Talvez eu fique só uma escritora-de-casa, mas, agora ao menos sabendo dos valores e franquezas que tenho.

Como diz minha psicóloga, faltam-me as metas. Mas pergunto, será que realmente a poesia sabe aonde ela quer chegar?

Para mim a poesia não tem dimensão, isso significa que nem as palavras escritas num livro podem lhe segurar.

E o que pode nos (e nós) assegurar nessa vida?

Sigo com a dúvida e o papel até o the end.

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Essas divagações surgiram após eu ser mencionada no post O Retrato – Cecília Meireles do blog Filhas de Sócrates. Blog que vale cada letra conhecer. Aproveitando a ocasião vou deixar mais indicações de leitura poéticas por aqui:

Trilhas e Letras

Uaíma

Poesias e outras coisas

Poesias de mãos que sentem

Poemas por W.R.

Uma reflexão por dia

Há lugares que parecem o idealizado paraíso, daqueles que dilatam as pupilas da alma, neles tiramos mil fotos como se pudéssemos tirar um pedacinho deles, quando na verdade, são eles que nos tiram da real, banho no mar, pular ondas, vento no cabelo, sol na pele, cores naturais da natureza, paisagens que nos fazem enxergar além das vistas…
Em cada ponto um encontro, lugares que você nunca imaginou estar, que exalam inspirações, que você esquece do tempo, lugares de alento.
Você até se questiona: nossa mereço estar aqui? Ou deseja, que esses momentos nunca acabem. Lugares que trazem serenidade…
Hoje falo de férias, mas poderiam ter outros nomes como colo, amizade, paixão. Mas essas paisagens não dão para fotografar, nem tudo a lente captura.
Passeios e pessoas acabam, mas tudo o que provocaram em nós não, mesmo em um tempo distante, estão eles lá registrados no baú de nossa alma.
Algumas fotos deixamos desbotar e empoeirar, outras colocamos nos portas retratos. Já os lugares (e pessoas), ah eles continuam para quem ousar em passar.

Estou em tratamento da depressão há um ano e três meses. Coincidência ou não, essa é uma das poucas vezes que aproveito as férias na íntegra, quero dizer, que estou presente no lugar onde estou.

Se vocês lerem o texto Turista Protagonista da minha última férias sentirão claramente a mudança de humor. Imagino que a família agradece, risos, a ranzinzice diminuiu.

Sinceramente não posso dizer qual desses sentimento é mais produtivo para a raça humana: o de êxtase ou o crítico. Estou me divertindo mas não deixei de ver as desigualdades sociais e a exploração comercial que gritam a cada esquina. Isso me corrói. Mas há tantas questões nessa vida que não temos respostas, não é mesmo?

Por hora só posso dizer que o antidepressivo e a terapia estão me permitindo levar uma vida mais leve, com menos cobrança, e acima de tudo ter mais gratidão por tudo o que a vida tem me oferecido entre uma paisagem e outra.

Por isso, hoje, não me envergonho de compartilhar algumas fotos dos lugares que tive a dádiva de pisar. Sabendo que eles são muito menores do que qualquer pessoa que lhes habitam. Já os seres e seus egoísmo ou altruísmo passam e os lugares continuam lá a nos contar histórias.

Abraços cristalinos 🙋🏽‍♀️

Este trabalho está licenciado uma Licença

Creative Commons

Atribuição 4.0 Internacional

28 comentários

  1. “Sim, hoje sem falsas modéstias, me considero uma escritora, e isso posso fazer em qualquer lugar e tempo. Não entendo o porquê demorei tanto tempo para admitir isso.”

    Feliz por você! 🙂

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  2. Gosto muito de te ler e, engraçado, esses dias estava pensando em ti, na verdade, pensando que seria bonito ver um livro teu cheio de poesias. Eu também deixei minhas escritas guardadas em caderninhos, por anos… Até que um dia tomei coragem e comecei a publicar. Tenho vontades a mais com a escrita, mas, por enquanto, é só deleite 🙂
    Abraços,
    G.

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  3. a escrita fascina, escrever ainda mais. levei muito tempo a decidir o que fazer até encontrar no jornalismo um caminho para escrever. e o texto que então escrevia tinha uma característica: estilo literário. consequência direta da leitura, sempre li muito e assim continuo. até que um dia mudei o lado: passei a ser editor. escrever passou a ser um peso. gostava de ler, de ajustar textos, sentar com o autor e fazer sugestões, trabalhar o texto. até que em nossa Feira do Livro (acontece todos os anos em novembro), editando um jornal diário de literário escrevi uma crônica para cobrir uma não entrega a tempos. resumo: fiz a Oficina de Criação Literária do escritor Luiz Antonio de Assis Brasil. escrevi muito contos, micros, alguns estão no Chronos 1, até que um dia começaram as cobranças: e o livro? então, percebi que precisava fazer outro caminho e descobri a fotografia como linguagem. se vou escrever de novo: não sei, sinto vontade de escrever. em geral escrevo pequenos textos abaixo das fotos. todos escritos na hora de postar. desculpe ser longo, mas fico feliz com teu post. e com a tua afirmativa: sou escritora. siga esse caminho que pode ser árduo mas que é feliz e dá prazer imenso isso dá. parabéns. um grande abraço.

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  4. Parabéns, Cristileine! Sim, você é uma escritora. E das boas! Fico feliz que tenha decidido compartilhar seus escritos conosco ❤

    E muito obrigada pela gentileza da citação! Vários dos seus poemas também já me proporcionaram muitas reflexões…

    Um beijo!

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  5. Este texto nasceu de uma escritora que espalha o seu dom pela prosa, pela poesia e, sempre atenta, agarra detalhes próximos ou mais longínquos e trabalha-os com muita sensibilidade.
    Com ou sem livros publicados, profissional ou não, é uma escritora. Bem pode afirmá-lo com convicção!
    O importante mesmo são os momentos de prazer e até de catarse que a escrita proporciona. E, quiçá…como diz a filosofia kaizen, passo a passo, meta a meta, outros objectivos possam ser alcançados. Caso o coração os queira mesmo!

    Entretanto…existem dúvidas que são para a vida!

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  6. Foi pelo blog apreciadordasletras do Luan, que fiquei sabendo que era dia do escritor…em meio às emoções e afazeres pela chegada do Emmanuel, precisei reduzir a leitura e a escrita…mesmo com a cabeça cheia de inspiração (afinal, quem é pai e mãe) sabe o quanto este momento é inspirador…mesmo sendo um leitor ativo, confesso, que nem sabia que tinha este dia…seu texto Cristileine reproduz o que muitos de nós que hoje temos ‘ferramentas’ como o ‘blog’ ,sentimos quando escrevemos…no entanto, me faço uma pergunta constante, desde que criei o blog por indicação de um amigo jornalista que leu um de meus poemas sobre São Francisco de Assis: vivemos numa época de muitos escritores, mas de muito pouco leitores?
    Continue a escrever, pois, eu já sou um de seus leitores, mesmo que isso não lhe dê status e menos ainda mais dividendos nos estratos….kkkkkk

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  7. Incrível como as pessoas e seus textos, suas palavras, vão nos marcando e fazendo parte do nosso dia a dia. Às vezes acordo pensando, o que será que fulano vai escrever hoje. E durmo refletindo em alguma voz divulgada… Será um deleite acompanhar essas suas vontades a mais com a escrita G., como já tem sido um deleite por aqui. Abração 🙋🏽‍♀️

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  8. Fernando, quando recebo um comentário seu logo me aparece um sorriso mesmo antes de ler😀 Pelo que te acompanho percebo que você tem um mix entre a literatura profissional e a livre, mas que é nas fotos que se realiza, afinal elas não precisam de muitas palavras para dizerem. Imagino quão árduo deve ser o trabalho de editor, também imagino que esse tanto de leitura que essa profissão demanda tanto abre a mente como o torna mais crítico. Muito obrigada por acompanhar meu blog e deixar nos saber um pouco de tuas experiências nessa área. Se você voltar à escrever, ou mesmo republicar seus textos, teremos muito à comemorar. Super abraço querido amigo, o seguirei nessa caminhada literária 🙋🏽‍♀️

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  9. O prazer, a catarse, as dúvidas, a dose que precisamos no dia a dia… você sabe traduzir o que se passa em outros livros (vidas). Obrigada por tão animadoras palavras. Bom fim de semana com esse sol que nos agracia🙋🏽‍♀️

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  10. Chegada do Emmanuel! Senti o cheirinho de bebê, aquela pele macia e o olhar tentando identificar o mundo. Parabéns à toda família, desejo harmonia, saúde e muito som 🕊

    Não sei porque mas me veio a vontade de desejar som, melodia… risos.

    Obrigada por ser um dos meus leitores. Sem dúvida o blog é uma excelente ferramenta, especialmente de interação. Quanto aos muito escritores e poucos leitores, descordo um pouco, com a internet temos mais meios de divulgação, e a variedade de público pode se encontrar. A grande questão é saber filtrar.

    Abraços e curta bastante essa fase memorável. 🙋🏽‍♀️

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  11. É isso mesmo… Fico pensando no que leio e isso é muito bom, afinal, por que escrevemos? Um dia li uma frase que grafitaram no muro da UFRGS e nunca esqueci: “Para que(m) serve teu conhecimento?”, e aí tenho feito a mesma pergunta em relação à escrita.
    Prossigamos! 🙂
    Beijos!
    G.

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  12. É Cris, obrigado pela retorno e pelas boas vindas (mais uma vez ao Emmanuel). O Blog me abriu janelas, tanto para os escritores quanto para os leitores…o questionamento serve mais para outras mídias sociais…talvez, eu não tenha me expressado adequadamente. Abraços. (O cheirinho de bebê, já impregnou nossa casa)….

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  13. É mesmo agora não há hífen, quando perceber meus erros de grafia, pode me dizer, não ligo, ao contrário me ajuda. Assumi o quartel ontem, bateu uma ansiedade danada que a lua viu. Se o foco for praia fortemente recomendo as da região de Monopoli e Otranto. Bom passeio.

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  14. Já foi dito absolutamente tudo acerca do ato de escrever. Quase tudo. O infinito está sempre depois da esquina, a perfeição é uma instância que dá dois passos à frente, todas as vezes em que damos um passo em sua direção. Em todo lugar e em todas as épocas, este ímpeto nunca foi anulado por ditaduras, inquisições, etc. Escrever, parece, torna uma pessoa desconfiada quanto ao entorno geral, muito embora sua sina seja a de se embrenhar em tudo, nas filigranas dos muros à sua frente, dos vocabulários à deriva, o escritor atrapalha-se com os tempos dos verbos (“entanto lutamos”, Drummond), e com o peso de sua inépcia em resolver o que há por trás de uma linha em branco. Isso me faz lembrar do título de um grande grupo musical que é a Orquestra Fantasma, e me leva ao que é o meu jeito de escrever: “a gente só escreve um livro, uma canção, um mar – mas um mar com muitos braços.”

    Um abraço. Bom domingo.
    Darlan M Cunha

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