30 maneiras para lidar com um depressivo.

Você me encontrou num momento muito estranho da minha vida.

Se você ama alguém com depressão e realmente quer lhe ajudar, seguem alguns lembretes para se pensar:

  1. Primeiramente tenha em mente: Depressão não é falta de caráter, é um desequilíbrio cerebral.
  2. As motivações de um depressivo estão enfraquecidas ou até mesmo esquecidas. Ele não tem interesse em relações e atividades sociais. “Isso não significa que ele não gosta de você”.
  3. A apatia tenta lhe abraçar todo dia. Isso lhe incomoda e fere, fazendo o sentir ingrato e desituado. A depressão é um peso para o depressivo também.
  4. Diga-lhe com carinho que descorda de seus pensamentos negativos. Que ele é muito mais do que um pensamento torto (ou direito).
  5. Depressão não é uma manobra para ter sus atenção, isso se chama carência. Nem todo depressivo é carente.
  6. O depressivo não quer ser um fardo, um fraco, um incoveniente. Ele não é um folgado, ele só está num momento ruim.
  7. Depressão tem tratamento, falta de ética e caráter não.
  8. A transmissão de seu amor e apoio serve como um útero para um depressivo. Ainda que você não perceba isso. Sua presença o alimenta como placenta.
  9. Às vezes por atrás da raiva, ira, ódio, fúria, zangamento há um depressivo pedindo socorro.
  10. Ansiedade e depressão são primas, muitas vezes andam juntas, se entendem e competem. A maioria dos depressivos já foram ansiosos que cansaram de lutar. A ansiedade é um gatilho para a depressão.
  11. Um depressivo é um ser sensível e crítico, com tendências à negatividade e desconfiança. Com o tratamento esses sintomas tendem a desaparecer.
  12. Os padrões de sono e alimentação deles são mudados para mais ou para menos. Sempre andam nos extremos.
  13. Dores que passeiam no corpo são habituais. O que por vezes leva ao diagnóstico errado. Tenha cuidado.
  14. Como você, o depressivo tem medo de ser ridicularizado e criticado. Só que para ele isso é multiplicado ao quadrado.
  15. Ele vira uma pessoa muito séria e perfeccionista, o que lhe faz perder a si mesmo de vista, o que lhe faz perder a vida.
  16. O depressivo usa muita energia para esconder seus dilemas dos outros. O que lhe leva à exaustão.
  17. Sente-se profundamente sozinho mesmo acompanhado. É um vazio inexplicado.
  18. Sem vitalidade, o depressivo frequentemente pensa na morte, frequentemente, frequentemente.
  19. Os antidepressivos demoram até quase 2 semanas para fazerem efeito. A dose e tipo de antidepressivo deve ser regulada constantemente.
  20. Existe uma parcela de pessoas que não respondem bem aos antidepressivos.
  21. Parar de tomar antidepressivos sem acompanhado médico pode ter reações inesperadas e efeitos rebote.
  22. Cada pessoa tem seu tempo de ação e reação. Menos cobrança, mais presença.
  23. Lealdade e aliados fazem toda diferença no tratamento de qualquer doença.
  24. Depressivo precisa de incentivo até nas pequenas atividades rotineiras, como tomar banho e comer bem, porque para ele nada mais importa.
  25. Para eles é difícil carregar o corpo, imaginem os pensamentos.
  26. Mostre as singelezas do dia, que por ele foram esquecidas. Já viu o sol hoje? Que bom que o lixeiro passou, imagine nossa vida sem eles. Qual é mesmo seu sabor de sorvete preferido? Vamos rever nossas fotos do verão passado?
  27. Dar o melhor de si pode parecer insignificante perante uma dor inflamada, mas esteja certo que esse ato é um tesouro.
  28. O depressivo faz parte do mundo, da cadeia social, economica, produtiva e imaginativa. Não precisa ser ignorado e nem escondido.
  29. Por trás de um depressivo há uma pessoa que já teve desejos, que é criativa, que ainda está viva.
  30. Saiba separar o verbo do substantivo. O depressivo está sobre efeito da alienação, ele não é alienado.

Consegui enumerar 30 maneiras, se tiver mais alguma para acrescentar, por favor, deixe sua opinião aqui nos comentários. Abraços cristalinos e boa semana que se aproxima🙋🏽‍♀️

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Creative Commons

Atribuição 4.0 Internacional

14 comentários

  1. Importante vc ter tocado neste tema.
    Eu já falei em outro comentário, sobre a tentativa de culpar o companheiro do depressivo.
    Há casos de famosos, mas os não famosos tb sofrem muito. Tentam sempre procurar os motivos de um suicídio, e tds dirigem os olhares p a pessoa companheira. Depois vem a partilha dos bens, enfim…

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  2. Nossa Cris, que texto necessário! Já fiz acompanhamento com antidepressivos para tratar uma depressão e síndrome do pânico e meu médico sempre me dava uns puxões de orelha por conta da minha resistência com a medicação. Pra mim foi um choque imenso ter um diagnóstico tão pesado igual ao que tive, então custei a me identificar como paciente. Eu achava um absurdo ter que depender de remédio para me sentir bem, e ficava muito frustrada por estar na situação que eu estava… mas com muita paciência, meu médico me convenceu e me mostrou que não era culpa minha, que eu ainda tinha sonhos e ainda era alguém, e que os remédios me ajudavam com a parte química do meu cérebro – o resto, cada conquista que eu tinha era mérito exclusivamente meu. Parabéns pelo texto ❤

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  3. Hellen, gostei demais especialmente desse último parágrafo: não é nossa culpa, temos sonhos, somos alguém, remédios ajudam (numa parte, na outra somos nós). Sem o tratamento dificilmente chegaríamos à essas conclusões. Às vezes só o que precisamos é tirar o blackout que nos impede de ver o sol. Muito obrigada por seu comentário. Super abraço.🙋🏽‍♀️

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  4. Que idéia! Terei material para ser um bom tempo, amei, especialmente as divisões por categorias. E por ressussitar as postagens antigas que ficam perdidas por aí, voando no passado. Obrigada e abraços.

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